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Camarões: Hospital diocesano se autofinancia com contribuições modestas

Catedral de Yaoundé, nos camarões

12/12/2017 16:42

Quatro médicos permanentes, 26 entre enfermeiros e técnicos de radiologia e laboratório, 1.200 doentes atendidos mensalmente. É o hospital diocesano de Touloum, no extremo norte dos Camarões. Uma realidade que nasceu em 2011, com a contribuição ao longo dos anos do PIME, da Conferência Episcopal Italiana, de doações voluntárias e, sobretudo, com o empenho incessante da Caritas da diocese de Yagoua, coordenada pelo Irmão Fabio Mussi, missionário leigo do PIME.

O hospital conta com cinco departamentos operacionais, diz o Irmão Fabio: o do acolhimento, que por estes dias se está a desdobrar em pronto socorro e continua a ser "determinante" pela assistência que presta aos pacientes dos Camarões, mas também do vizinho Chade; o departamento da cirurgia, que acolhe "pacientes mais urgentes" para operações que vão de uma comum apendicite a intervenções ortopédicas, já que "ainda não temos especialistas"; o da ginecologia e maternidade e o da medicina geral; finalmente, o departamento da radiologia, fundamental "porque na área os outros hospitais têm muito mais dificuldades em fazer funcionar o equipamento electrónico.

O "desafio" dos últimos tempos é o Tac, cujo equipamento está já disponível há três anos. Um dos problemas para o funcionamento foi o da grande quantidade de energia eléctrica necessária, problema superado com um sistema fotovoltaico – que, aliás, também serve todo o hospital - e a ajuda de técnicos especializados. Um outro grande obstáculo foi que, no momento da activação, "demo-nos conta - diz quase sorrindo o Irmão Fabio - que, entretanto, a instalação tinha sido danificada por alguns roedores, que haviam comido a fibra óptica”.

Mas o Irmão Fabio não desiste. Concentra-se nos recursos do hospital, que se autofinancia através da contribuição dos doentes, mesmo que paguem, pelos serviços recebidos, "montantes modestos": um exame médico custa o equivalente a "um euro e meio". Um valor que espanta, mas talvez o que mais surpreende é a força deste missionário que trabalha nos Camarões desde 2009, numa região onde ainda é grave a emergência humanitária ligada à violência causada pelas acções terroristas dos extremistas nigerianos do Boko Haram.

A situação permanece ainda "muito tensa", porque os milicianos "semeiam minas ao longo das estradas e caminhos para impedir que os militares os controlem ou para tornar a área insegura, para o transporte de pessoas e bens". E depois não acabam os "sequestros direccionados quer de pessoas adultas, quer de crianças ou adolescentes, para destiná-los também a operações de guerra". Mesmo os missionários, enquanto estrangeiros, permanecem "na mira" e, por isso, são "forçados a circular com escoltas armadas, por precaução". Mas, assegura o Irmão Fabio, a sua missão "é estar ao lado das pessoas que sofrem e vivem naquela área: nós nos sentimos como cristãos e irmãos desta gente, o nosso lugar está ao seu lado”.

12/12/2017 16:42