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Papa no Bangladesh: solidariedade, missão e sabedoria

Papa Francisco com os doentes na "Casa de Madre Teresa" em Daca, Bangladesh - AFP

04/12/2017 09:42

Francisco visitou o Bangladesh de 30 de novembro a 2 de dezembro. Destaque para as palavras do Papa sobre a solidariedade para com os refugiados, em particular, os ‘rohingya’ que o Santo Padre encontrou em Daca. Significativo também o envio em missão de novos sacerdotes ordenados pelo Papa e o encontro com os jovens a quem Francisco pediu para procurarem a sabedoria de Deus que fortalece a esperança. Sabedoria que se encontra nos pais e nos avós.

A 21ª Viagem Internacional do Papa Francisco teve uma segunda etapa após a visita ao Myanmar. No dia 30 de novembro o Santo Padre chegou à República Popular do Bangladesh ao aeroporto da capital Daca. Um país com cerca de 150 milhões de habitantes com uma população que se dedica principalmente à agricultura. É um país de maioria muçulmana, onde se fala o bengali e onde vigora um regime democrático parlamentar. Os católicos são no país uma minoria de cerca de 500 mil pessoas.

Segundo informa a Agência Ecclesia ”o cristianismo chegou ao Bangladesh em 1518 pela mão de comerciantes portugueses que se instalaram em Chittagong, tendo este território ficado confiado à Diocese de Cochim e Goa”. Foram jesuítas os primeiros missionários: Francisco Fernandes e Domingos de Sousa. No dia 2 de dezembro, no Bangladesh, o Santo Padre visitou a antiga Igreja do Santo Rosário que foi construída por missionários portugueses em 1677.

Solidariedade no apoio aos refugiados

O primeiro discurso do Papa no Bangladesh foi proferido perante o Presidente Abdul Hamid num encontro com as autoridades do país, a sociedade civil e o Corpo Diplomático. Francisco chamou a atenção para a situação dos “refugiados chegados em massa do Estado de Rakhine” no Myanmar:

“Nos meses passados o espírito de generosidade e solidariedade que caracterizam a sociedade do Bangladesh manifestou-se muito claramente no seu ímpeto humanitário a favor dos refugiados chegados em massa do Estado de Rakhine, proporcionando-lhes abrigo temporário e provisões para as necessidades primárias da vida. Isto foi conseguido à custa de não pouco sacrifício; e foi realizado sob o olhar do mundo inteiro.”

“Nenhum de nós pode deixar de estar consciente da gravidade da situação, do custo imenso exigido de sofrimentos humanos e das precárias condições de vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs, a maioria dos quais são mulheres e crianças amontoados nos campos de refugiados.”

“É necessário que a comunidade internacional implemente medidas resolutivas face a esta grave crise, não só trabalhando para resolver as questões políticas que levaram à massiva deslocação de pessoas, mas também prestando imediata assistência material ao Bangladesh no seu esforço para responder eficazmente às urgentes carências humanas” – disse o Santo Padre.

No seu discurso, Francisco assinalou a “forma particularmente eloquente” do povo do Bangladesh na reação ao “brutal ataque terrorista” de 2016 em Daca “na mensagem clara enviada pelas autoridades religiosas da nação” condenando o ódio e a violência em nome de Deus.

O Santo Padre apontou ainda a disponibilidade dos católicos, não obstante o seu “número relativamente reduzido”, na construção e “desenvolvimento do Bangladesh, “especialmente, através das suas escolas, clínicas e dispensários” – disse o Papa.

Sacerdotes com a missão de ensinar e santificar

No dia 1 de dezembro o Papa presidiu à única Missa no Bangladesh, no Suhrawardy Udyan Park de Daca. Participaram mais de 100 mil fiéis e o Santo Padre ordenou 16 novos sacerdotes. Foi sobretudo dos novos padres que Francisco falou na sua homilia dizendo que serão “cooperadores dos bispos” com a missão de “serviço do Povo de Deus”. São ordenados para ensinar e santificar:

“Vós, queridos filhos, que ides entrar na Ordem dos presbíteros, exercereis, no que vos compete, o sagrado múnus de ensinar em nome de Cristo, nosso Mestre. Distribuí a todos a palavra de Deus que vós mesmos recebestes com alegria. Meditando na lei do Senhor, procurai crer o que ledes, ensinar o que credes e viver o que ensinais.

“Exercereis também, em Cristo, o múnus de santificar. Pelo vosso ministério se realiza plenamente o sacrifício espiritual dos fiéis, unido ao sacrifício de Cristo, que, juntamente com eles, é oferecido pelas vossas mãos sobre o altar, de modo sacramental, na celebração dos santos mistérios. Tomai, pois, consciência do que fazeis, imitai o que realizais. Celebrando o mistério da morte e da ressurreição do Senhor, esforçai-vos por fazer morrer em vós todo o mal e por caminhar na vida nova” – disse o Papa.

Presença de Deus, hoje, chama-se também ‘rohingya’

Também na sexta-feira dia 1 de dezembro destaque para as palavras do Papa a um grupo de refugiados rohingya no final de um encontro Inter-Religioso e Ecuménico pela Paz que teve lugar no Arcebispado de Daca.

A estes refugiados da minoria muçulmana rohingya que fugiram de Myanmar, Francisco disse-lhes que “em nome de todos aqueles que vos perseguem, daqueles que fizeram mal, sobretudo pela indiferença do mundo, eu peço-vos perdão. Perdão” – afirmou o Papa.

O Santo Padre assinalou ainda o acolhimento que estes refugiados receberam no Bangladesh e reforçou o seu apelo dizendo: “Continuemos a fazer o bem, a ajudá-los, continuemos a mexer-nos para que sejam reconhecidos os seus direitos. Não fechemos os corações, não olhemos para o lado. A presença de Deus, hoje, chama-se também ‘rohingya’ – declarou Francisco.

Sabedoria de Deus fortalece a esperança

No dia 2 de dezembro, na Visita do Papa ao Bangladesh, destaque para o encontro com os jovens no Notre Dame College de Daca. Nesse momento com os mais novos Francisco alertou para o perigo de “vagar sem rumo” na vida. Para que tal não aconteça é necessária a “sabedoria que nasce da fé” que é a “única coisa que nos orienta e faz avançar”. Uma “sabedoria que se vislumbra nos olhos dos pais e dos avós que puseram a sua confiança em Deus” – afirmou Francisco.

O Papa declarou ainda que “a sabedoria de Deus fortalece em nós a esperança e ajuda-nos a enfrentar o futuro com coragem. Nós, cristãos, encontramos esta esperança no encontro pessoal com Jesus na oração e nos Sacramentos, e no encontro concreto com Ele nos pobres, doentes, atribulados e abandonados. Em Jesus, descobrimos a solidariedade de Deus, que caminha constantemente ao nosso lado” – disse Francisco aos jovens do Bangladesh.

Naquele que foi o último encontro naquele país asiático o Papa assegurou ainda aos jovens as suas orações para que todos eles possam continuar a “crescer no amor de Deus e do próximo” – afirmou o Santo Padre.

“Sal da Terra, Luz do Mundo”, é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

04/12/2017 09:42