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A África não é uma fake news - Missionários Combonianos

Migrantes no centro de detenção em Zawiya, a 30 km de Tripoli - ANSA

15/11/2017 16:44

Os Missionários combonianos estão a assinalar ao longo deste ano os 150 anos da fundação desta Congregação com uma série de iniciativas sob o lema “Regenerar a África com a África”.

Uma dessas iniciativas teve lugar terça-feira na Sala Marconi da Rádio Vaticano e teve por tema “A África não é uma Fake News” e centrou-se sobre a necessidade de oferecer uma informação correcta e contextualizada sobre o continente africano. Falou-se da temática das migrações, do tráfico humano, do açambarcamento de terras, da situação permanente de “guerra” que se vive na Republica Democrática do Congo… Situações que empurram as pessoas a emigrar, sendo vistas em Itália, na Europa como invasores. Ora, na realidade, grande parte dos migrantes e refugiados da África dá-se no próprio seio da África.

Há que repartir das vítimas, dos mortos no Mediterrâneo para recentrar a reflexão, pois que o naufrágio dessas pessoas é sinonimo do naufrágio da politica italiana e europeia em matéria de imigração – disse P. Domenico Guarini, comboniano, empenhado no acolhimento de migrantes em Palermo, ilha da Sicília. Ele sublinhou ainda que 70 a 80% dos migrantes que chegam passaram por torturas. Por isso, há que denunciar – disse – o Memorandum de Entendimento entre a Itália e a Líbia para a retenção de migrantes da África subsaariana naquele país da África do Norte. De salientar que nesta quarta-feira, 15, na sequencia de um documentário publicado pela televisão americana, CNN, sobre os maus-tratos aos migrantes na Líbia, o acordo entre a Itália e a Líbia é ainda mais contestado.

O P. Domenico Guarini afirmou ainda que é também necessário pôr no centro das narrações os próprios migrantes, porque fala-se tanto de migrantes, mas eles não são interpelados… Continua-se a falar dos migrantes com frases feitas, com lugares comuns, porque os migrantes se tornaram para muitos num importante recurso económico e ideológico.

Por seu lado, a irmã Gabriella Bottani, missionária comboniana, falou do tráfico humano e da acção da Thalitakum, Rede que reúne umas 1500 religiosas de várias congregações no combate a esse mal mundial que afecta sobremaneira a África.

De realçar ainda a intervenção do jornalista Luciano Ardesi que falou do problema do açambarcamento de terras, um fenómeno mundial, mas que toca a África de modo particular. Embora não haja dados claros sobre este fenómeno, na base da qual está o grande negócio dos investimentos no campo agrícola, Luciano disse que 37 dos 78 países do mundo envolvidos, de um modo doutro, neste fenómeno são africanos. Moçambique sozinho, com a concessão de 3 milhões de hectares representa 10% das terras açambarcadas no mundo. Outros países da África altamente afectados são a Serra Leoa e a Etiópia. Normalmente são países terceiros, ricos que vão açambarcar terras nos países ditos em desenvolvimento, mas há também açambarcamento por parte de grandes homens de negócios internos à própria África, como acontece por ex. na Etiópia, onde o saudi-etíope, Mohammed Hussein Al Amoudi é um dos grandes investidores no campo agrícola. A consequência do açambarcamento de terrenos é muitas vezes a expulsão de populações das suas terras e o aumento da pobreza. Há todavia, movimentos de resistência como acontece, por exemplo, em Moçambique.

Outra intervenção de relevo foi a do P. Elias Sindjalim, togolês, mas com vários anos de presença na Republica Democrática do Congo que ilustrou o caminho percorrido por este país desde a independência em 1960 até à constante situação de instabilidade e conflito em que se encontra e que tem graves consequências de modo particular na parte oriental do país, onde as populações são vítimas de vários grupos rebeldes. O actual Presidente Kabila devia ter terminado o seu mandato o ano passado, mas sob pretexto de que não tinha sido feito a tempo o recenseamento da população, permaneceu no poder provocando a reacção da população e de grupos da oposição. A Igreja interveio para mediar e chegou-se, não sem dificuldades a um acordo a 31 de Dezembro de 2016, mas que não foi actuado. Agora foi anunciado que as eleições só poderão ser em Dezembro de 2018. A economia e a situação social não vão bem e a corrupção é generalizada. O povo procura desenrascar-se como pode e é agraças à fé que vai para a frente  - rematou o missionário.

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No próximo dia 17, ainda no âmbito dos 150 anos da fundação da Congregação comboniana, terá lugar na Aula Magna da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma um simpósio sobre o tema “Regenerar a África com a África” . Umas das intervenções será do jornalista e estudioso da África, Jean-Leonard Touadi, originário do Congo-Brazzavile. Falará da “África hoje: aspectos socio-políticos e eclesiais”.

Por seu lado o Prof. Gianpaolo Romanato, da Universidade de Pádua, deter-se-á sobre a “África e a Missão nos tempos de Daniel Comboni”, fundador da Congregação dos Combonianos. Ele viveu entre 1831 e 1881 e dedicou grande parte da sua vida à África, nomeadamente ao Sudão. 

Oiça tudo aqui na rubrica "África Global"

(DA)

15/11/2017 16:44