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Atualidade \ África

Benkos Biohò - herói da Guiné-Bissau na Colômbia do século XVII

Ildo Correia (2º da direita) e os companheiros, com o símbolo do Festival do Tambor em São Basílio do Palenque - Colômbia - RV

03/11/2017 16:07

Realizou-se de 13 a 17 deste mês de Outubro, na Colômbia, o XXXII Festival dos Tambores e Expressões Culturais do Palenque”.  Foi em São Basílio do Palenque, localidade a cerca de 55 km de cidade de Cartajena. Organizado pela comunidade afrodescendente dessa localidade, o Festival contou este ano com a participação de dois elementos do grupo musical “Bumbulum” criado, há anos atrás, na Itália, por alguns guineenses. Tratou-se de Ernesto Silva, percussionista, e de Ildo Correia, baixista e guitarrista. Essa participação tornou-se possível graças a Carlos Conté, ele também guineense, casado com uma colombiana. No âmbito do seu interesse pela Colômbia, descobriu que a comunidade afrodescendente de São Basílio do Palenque é essencialmente de origem guineense e que o seu grande herói é Benko Biohò, originário das Ilhas Bijagós.  

Benko, conhecido também por Domingo Biohò, foi capturado e levado, como escravo, para o “novo mundo” no inicio do século XVII. Acabou por se revoltar, liderando, com sucesso, a luta pela libertação dessa zona, como explica Ildo Correia.

Iniciado em 1985, o Festival do Palenque tem como objectivo salvaguardar a tradição dos antepassados africanos dos habitantes de São Basílio:

Ildo, Ernesto e Carlos - que não é, todavia, membro de “Bumbulum”, mas que foi ao Festival como cantor no grupo – ficaram de boca aberta ao constatar, nessa região da Colômbia, povoada de afrodescendentes, enormes semelhanças com a Guiné-Bissau:

Mas, houve algo a mais que emocionou sobremaneira o Ildo e os seus dois companheiros:

Os afro-colombianos, como já tivemos ocasião de ver por ocasião da viagem do Papa Francisco à Colômbia, sofrem ainda - devido ao seu passado de pessoas escravizadas - muitas discriminações do ponto de vista socio-económico, politico e cultural. Ildo Correia concorda, embora  - diz - não se tenham dado conta disso imediatamente:

Dados estes laços histórico-culturais, Ildo Correia considera que é do maior interesse dos dois lados manter a colaboração e desenvolver projectos comuns:

Guiné-Bissau, em relação à qual os palenques têm imensa curiosidade e desejo de saber mais, como ficou patente no seminário sobre instrumentos musicais da Guiné conduzido por Ernesto Silva:

Reflexão, dança, música, divertimento mesmo debaixo da chuva, para que o rito, a memória das origens não se percam. E a  participação popular foi marcante…

Um bela experiência que, devido a dificuldades económicas, o grupo Bumbulum não pôde viver no seu todo, tendo conseguido enviar apenas três elementos para o Festival. Mas para o próximo ano, se Deus quiser, irá o grupo todo:

Ildo Correia, jurista  e membro do grupo musical guineense “Bumbulun” . Participou juntamente com o Ernesto Silva e o Carlos Conté… no recente Festival do Tambores e Expressões Culturais do Palenque”, em São Basílio do Palenque, na Colômbia, perto de Cartajena.

Oiça tudo aqui na rubrica "Década dos Afrodescendentes" 

(DA)

 

03/11/2017 16:07