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A guerra é a destruição de nós mesmos - Papa no Cemitério de Nettuno

Papa no Cemitério Americano de Nettuno - REUTERS

02/11/2017 17:02

Hoje dia dos defuntos, festivo no Vaticano, o Papa Francisco deslocou-se, no inicio da tarde, ao Cemitério Americano de Nettuno, localidade marítima a quase 60km a sul de Roma. Nettuno fica próximo de Anzio, onde as tropas americanas desembarcaram a 22 de Janeiro de 1944 para libertar a Itália do nazi-fascismo.

No cemitério americano de Nettuno estão sepultados  os restos de 490 soldados que puderam ser identificados. E nas paredes brancas estão inscritos os nomes de outros 3.094 desaparecidos.

O Cemitério enquanto tal foi construído em 1956 pela American Battle Monuments Commission  em território da cidade de Nettuno na zona onde desde os primeiros dias do desembarque anfíbio foi posicionado o cemitério temporário dos que vinham à cabeça do grupo e que foram os primeiros a tombar pela liberdade.

Mas voltemos à Missa presidida pelo Santo Padre:

“Todos nós, hoje, estamos aqui reunidos na esperança. Cada um de nós, no seu coração, pode repetir as palavras de Job que ouvimos na primeira leitura:  “Sei que o meu Redentor está vivo e que no fim se erguerá sobre o pó”. A esperança de reencontrar Deus, de nos reencontrarmos todos nós, como irmãos, e esta esperança não desilude” .

Foi com estas palavras que o Santo Padre iniciou a sua homilia pronunciada sem texto escrito. Ele disse que a esperança nasce e se enraíza, muitas vezes, nas pregas humanas, em tantas dores e sofrimentos e nos faz olhar para o Céu e dizer: “Eu creio que o meu Redentor está vivo. Mas fica connosco Senhor”. É esta a oração que sai, talvez, do coração de todos nós quando olhamos para este cemitério”.

O Papa disse ter a certeza que dizemos: “Mas, por favor Senhor, fica connosco. Nunca mais, nunca mais a guerra. Nunca mais este “massacre inútil” como dizia Bento XV.

Jovens, milhares, milhares, milhares, milhares … esperanças rompidas. “Nunca mais Senhor”. E esse “Nunca mais Senhor” devemos dize-lo também hoje que rezamos por todos os defuntos” – disse o Papa, recordando todavia que nesse cemitério eram chamados a rezar de modo especial por esses jovens ; “hoje que o mundo está outra vez em guerra e se prepara para entrar mais fortemente em guerra. “Nunca mais Senhor. Nunca mais”. Com a guerra se perde tudo”

Francisco disse que lhe vinha à cabeça uma idosa que, olhando para as ruínas de Hiroshima dizia com uma sapiencial resignação e dor : “Os homens fazem de tudo para declarar e fazer uma guerra e acabam destruindo-se a si próprios”

“A guerra é isto: a destruição de nós mesmos”.

Se hoje é um dia de esperança, é também um dia de lágrimas, lágrimas como aquelas das mães e esposas, a quem se batia à porta para lhes anunciar a honra de o marido ou o filho ter morrido na guerra e de ter  sido, portanto, um herói da Pátria.

São lágrimas que hoje a humanidade não deve esquecer” – frisou Francisco condenando este orgulho desta humanidade que não aprender a lição e parece não a querer aprender.

Quantas vezes – prosseguiu Francisco – os homens mostram-se convictos de que fazendo uma guerra trazem um novo mundo, uma nova primavera e se acaba trazendo um inverno, feio, cruel, com o reino do terror e da morte. E o Papa voltou a recordar esses jovens sepultados nesse cemitério de guerra:

Hoje rezamos por todos os defuntos, todos, mas de modo especial por estes jovens, num momento em que tantos morrem em batalhas de todos os dias desta guerra aos bocadinhos. Rezemos também pelos mortos de hoje, os mortos de guerra, também crianças, inocentes. Este é o fruto da guerra: a morte. E que o Senhor nos dê a graça de chorar”. 

(DA)

 

02/11/2017 17:02