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Sudão do Sul: Bispos: Basta com conflitos étnicos nos campos de refugiados

Num campo de refugiados - ANSA

24/10/2017 13:01

"Procuramos fazer com que os vários refugiados vivam em paz, porque continuam a confrontar-se até mesmo nos campos de acolhimento", afirma D. Michael Didi Adgum Mangoria, arcebispo de Cartum, falando da situação nos nove campos de acolhimento para refugiados do Sudão do Sul, localizados na capital do Sudão.

A guerra civil no Sudão do Sul – refere a agência Fides – iniciada em dezembro de 2013, forçou milhões de pessoas a fugir, também porque o conflito imediatamente assumiu uma dimensão étnica, que se reflecte mesmo nos campos onde são acolhidos os refugiados. "Cada comunidade étnica vive em lugares separados, mas se encontram nos poços, onde muitas vezes se verificam disputas entre duas ou três pessoas que degeneram em confrontos comunitários antes que se possa intervir para evitar a generalização do conflito", explica D. Mangoria.

O arcebispo reiterou que se está tentando fazer o melhor possível para enfrentar o problema do tribalismo nos campos de refugiados. "Eu disse ao sacerdote que cuida dos refugiados, que se eu vir ou ouvir algum deles tentando alimentar as divisões tribais, vou suspendê-lo", diz D. Mangoria. "Esta é uma maneira de enviar a mensagem de que o tribalismo é um mal muito grave e que não deve ser tolerado”.

D. Mangoria se entristeceu quando soube que, num dos campos, várias comunidades étnicas decidiram construir pequenas cabanas para se reunirem para o culto, com base nas suas afiliações tribais. E disse-lhes, então, que "se não criardes um lugar comum de oração para todas as comunidades, não enviarei sacerdotes para os serviços religiosos”.

O arcebispo Mangoria finalmente sublinhou que são os políticos que alimentam o tribalismo para promover os seus interesses. "Continuai a rezar por nós enquanto nós rezamos por vós, na esperança que um dia os nossos líderes políticos deixem de brincar com as emoções das pessoas, alimentando a animosidade tribal, para que possamos gozar da verdadeira paz", concluiu.

O conflito tribal no Sudão do Sul é alimentado pela guerra entre o presidente Salva Kiir, um Dinka, e o ex-vice-presidente Riek Machar, um Nuer. O conflito étnico estendeu-se às outras 60 etnias do jovem estado (independente a partir de 2011), provocando uma crise humanitária gravíssima com 2,2 milhões de habitantes (num total de 13 milhões) entre deslocados internos e refugiados nos Estados limítrofes. (BS)

24/10/2017 13:01