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A urgente tarefa de educar e acompanhar as novas gerações

Jovens na JMJ de Cracóvia - OSS_ROM

19/09/2017 11:36

Nesta edição de “Sal da Terra, Luz do Mundo” destacamos a preparação que está a ser feita para o próximo Sínodo dos Bispos de 2018 sobre a temática da juventude e do discernimento vocacional. Recordamos recentes palavras do Papa Francisco sobre os jovens e as declarações do padre João Chagas, responsável pelo setor dos jovens no Dicastério Leigos, Família e Vida.

O Papa Francisco recebeu na manhã de sábado dia 16 de setembro na Sala Clementina no Vaticano cerca de cem participantes no Capítulo Geral da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus.

Recordando o momento fundador desta congregação em 1854 com o padre JeanJules Chevalier o Santo Padre pediu aos presentes para fixarem o olhar em Cristo e a testemunharem o amor de Jesus junto dos “descartados da terra” cuidando “as ovelhas perdidas e feridas” e trabalhando “pela justiça” e pela “solidariedade com os fracos e os pobres”.

Em particular, referindo-se à diminuição de membros que se registou nos últimos anos nesta Congregação, tal como aconteceu noutros Institutos, o Papa Francisco convocou os Missionários do Sagrado Coração de Jesus a investirem no acompanhamento dos jovens e na sua formação cristã, evitando ceder à tentação do clericalismo:

“Como é urgente hoje a tarefa de educar e acompanhar as novas gerações a aprender os valores humanos e cultivar uma visão evangélica da vida e da história! Esta, que muitos definem como uma verdadeira “emergência educativa”, é sem dúvida uma das fronteiras da missão evangelizadora da Igreja, para as quais toda a comunidade cristã é convidada a sair.”

Curiosamente, a propósito das temáticas juvenis, estiveram reunidos de 11 a 15 de setembro no Auditório da Casa Geral da Companhia de Jesus em Roma especialistas em pastoral juvenil. Tratou-se de um Seminário Internacional inserido nas atividades preparatórias da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos agendada para o mês de outubro de 2018.

Sobre o andamento dos trabalhos de preparação do Sínodo falou à Rádio Vaticano o padre João Chagas, responsável pelo setor dos jovens no Dicastério para os Leigos, Família e Vida. A reportagem é do nosso colega do programa brasileiro, o jornalista Jackson Erpen:

“Acho que foi um passo muito importante neste caminho para o Sínodo. Já tínhamos tido um momento forte em abril deste ano, quando juntos - Dicastério para os Leigos, Família e Vida e a Secretaria para o Sínodo -  tínhamos feito um encontro com jovens e responsáveis de Pastoral juvenil. Este foi um outro passo importante, de outros que virão, e acho que entramos neste oceano que é a condição dos jovens vendo toda a diversidade que ela representa, mas ao mesmo tempo sem medo de lançar as nossas redes, porque com certeza, Deus está preparando aí no Sínodo o início de uma pesca milagrosa”

RV: Estes diversos temas que foram abordados que incluíram também essa riqueza cultural com pessoas de diversas partes do mundo falando, que fotografia se poderia fazer justamente sobre as necessidades e dos desafios dos jovens hoje?

“Os jovens pediram muito - por exemplo você dizia no começo que eu sou o responsável pelos jovens...No fundo, no fundo, eu acho que o que a gente mais tem que promover é esta corresponsabilidade dos jovens. Ou seja, eu tenho uma responsabilidade por um setor, por um...mas no fundo, no fundo, este setor tem que promover a responsabilidade dos jovens, que eles sejam protagonistas, eles pediram isto. E ficaram felizes porque a Igreja está fazendo um grande esforço para escutar essa voz. É um grande esforço que está sendo feito. Mas isto precisa nos levar para que esta escuta dos jovens se torne uma coisa cada vez mais natural. Eles querem falar, eles querem fazer barulho como o Santo Padre pediu, mas isto deve se tornar uma coisa normal na vida da Igreja. Como o Papa falava também... estão fazendo barulho... mas o Papa falava que o São Bento procurava para a resolução dos problemas mais importantes do mosteiro escutar o monge mais jovem porque dele vinham as melhores soluções. E quem sabe muitas das coisas que a Igreja hoje se pergunta, escutando mais os jovens não vão vir soluções novas, criativas e inovadoras.”

RV: O Cardeal Baldisseri nos dizia na quarta-feira que o objetivo é que realmente os jovens sejam os protagonistas deste Sínodo. Como fazer neste tempo - o Sínodo vai ser em outubro de 2018 -  como motivar os jovens para que realmente eles sejam os protagonistas deste encontro?

“Bem, o Papa João Paulo II quando dizia que quando a gente convive com os jovens a gente vai permanecendo jovem e se rejuvenescendo. Eu acho que está sendo uma oportunidade para nós todos. Eu vejo que o próprio Cardeal Baldisseri - ouvimos aqui um piano, eu acho até que é ele tocando aqui no fundo - o Monsenhor Fabbene e a equipe toda deles está também, de uma certa maneira, rejuvenescendo a própria Secretaria do Sínodo, porque eu vejo que eles estão procurando sempre novas maneiras, maneiras criativas, de envolver os jovens. Eu acho que ainda virão surpresas pela frente, novas maneiras de envolver os jovens neste processo e com certeza, como o próprio Cardeal Baldisseri disse, encontrarão formas de que haja a presença dos jovens significativa durante a própria Assembleia Sinodal.”

Também em Portugal decorrem preparativos para o Sínodo de 2018. Na passada semana, na sexta-feira dia 15 de setembro teve lugar em Lisboa no Auditório da Igreja de S. João de Deus uma conferência subordinada ao tema “Sínodo dos Bispos 2018 e os desafios da Pastoral Juvenil”. O principal orador foi o padre Rossano Sala que integra o grupo de trabalho do Sínodo dos jovens e que afirmou na ocasião que “a Igreja não está preparada para acompanhar os jovens”.

O sacerdote salesiano, um dos maiores especialistas mundiais em pastoral juvenil, declarou ainda que “os jovens de hoje não são melhores ou piores que os jovens de gerações anteriores. Vivem num contexto diferente, mais fragilizado que implica uma renovada e aprofundada capacidade de os acompanhar e, neste momento, a Igreja não está ainda preparada para isto” – disse o padre Rossano Sala em declarações à Agência Ecclesia.

Importante conclusão a retirar também desta conferência é a afirmação do padre Sala de que a Igreja deve fazer uma mudança “de uma pastoral de eventos para uma pastoral de processos”. Com certeza, um alerta importante para a preparação que este Sínodo está a suscitar e todo o trabalho que será feito até lá. Muito há pois ainda para caminhar neste campo da vida da Igreja até ao próximo ano de 2018.

“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

19/09/2017 11:36