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Papa na Missa em Bogotá: superar trevas do ódio, injustiça e ataques à vida

Santa Missa no Parque Simón Bolívar de Bogotá - REUTERS

08/09/2017 10:22

Depois do encontro com o Comité Diretivo do CELAM, o Papa Francisco presidiu nesta quinta-feira (07/09), no Parque Simón Bolívar de Bogotá, à santa Missa, na presença de mais de um milhão de participantes. Na sua homilia, e comentando o Evangelho de S. Lucas, o Papa recordou o mar da Galileia, onde aconteceu o chamamento dos primeiros discípulos e as pessoas se reuniam para ouvir a voz de Jesus que as orientava e iluminava, e os pescadores, concluíam a sua jornada fatigante, em busca do sustento para levar uma vida sem penúrias, digna e feliz.

O mar também representa a vastidão onde convivem todos os povos – explicou o Santo Padre - e, pela sua agitação e obscuridade, evoca tudo aquilo que ameaça a existência humana e que tem o poder de a destruir. Naquele dia, disse ainda o Pontífice, Jesus tinha atrás de si o mar e, à sua frente, a multidão que O seguia ao ver como Ele Se comovia perante o sofrimento humano:

“Todos vêm ouvi-Lo; a Palavra de Jesus tem algo de especial que não deixa ninguém indiferente. A sua Palavra tem o poder de converter os corações, mudar planos e projectos. É uma Palavra corroborada pela acção, não são conclusões redigidas no escritório, expressões frias e distantes do sofrimento das pessoas; por isso, é uma Palavra que serve tanto para a segurança da margem como para a fragilidade do mar”.

Esta querida cidade, Bogotá, e este belo país, a Colômbia, têm muito destes cenários humanos apresentados pelo Evangelho, observou Francisco, acrescentando que lá vivem multidões ansiosas por uma palavra de vida, que ilumine com a sua luz todos os esforços e mostre o sentido e a beleza da existência humana:

“Estas multidões de homens e mulheres, crianças e idosos habitam uma terra de fertilidade inimaginável, que poderia dar frutos para todos. Mas também aqui, como noutras partes do mundo, há densas trevas que ameaçam e destroem a vida: as trevas da injustiça e da desigualdade social; as trevas corruptoras dos interesses pessoais ou de grupo, que consomem, egoísta e desaforadamente, o que se destina para o bem-estar de todos; as trevas da falta de respeito pela vida humana que diariamente ceifa a existência de tantos inocentes, cujo sangue brada ao céu; as trevas da sede de vingança e do ódio que mancha com sangue humano as mãos de quem faz justiça por sua conta; as trevas de quem se torna insensível ao sofrimento de tantas vítimas. Todas estas trevas, as dissipa e destrói Jesus com o seu mandato na barca de Pedro: «Faz-te ao largo»”

Em seguida, e citando o exemplo de Pedro que conheceu a experiência de trabalhar sem resultado, o Papa advertiu do perigo de nos enredar-nos em discussões intermináveis e de fazer um elenco de esforços que acabaram em nada:

“Esta nação também sabe disso, quando nos inícios, durante um período de seis anos, teve dezasseis Presidentes e pagou caro as suas divisões («a pátria tonta»); também a Igreja na Colômbia sabe de trabalhos pastorais vãos e infrutuosos..., mas, como Pedro, também somos capazes de confiar no Mestre, cuja Palavra suscita fecundidade mesmo onde a inospitalidade das trevas humanas torna infrutíferos muitos esforços e fadigas”.

Mas o mandato de lançar as redes não é dirigido apenas a Simão Pedro, e lançar as redes implica responsabilidade, prosseguiu o Pontífice, ressaltando que em Bogotá e na Colômbia, peregrina uma comunidade imensa, chamada a tornar-se uma rede vigorosa que congregue a todos na unidade, trabalhando na defesa e cuidado da vida humana, particularmente quando é mais frágil e vulnerável: no seio materno, na infância, na velhice, nas condições de invalidez, e nas situações de marginalização social. Também as multidões de Bogotá e Colômbia podem tornar-se verdadeiras comunidades vivas, justas e fraternas, se escutarem e acolherem a Palavra de Deus, reiterou o Papa:

“É necessário chamar uns pelos outros, fazermos sinais como os pescadores, voltar a considerar-nos irmãos, companheiros de estrada, sócios desta empresa comum que é a pátria (…), é necessário chamar a todos para que ninguém seja deixado ao arbítrio das tempestades; fazer entrar na barca todas as famílias, santuário de vida; colocar o bem comum acima dos interesses mesquinhos ou particulares, ocupar-se dos mais frágeis promovendo os seus direitos.

Pedro sabe das suas fraquezas, das suas hesitações ..., como o sabemos nós também, mas Jesus, convida-nos (como a Simão) a fazer-nos ao largo, a deixar os nossos egoísmos e a segui-Lo; convida-nos a perder medos que não vêm de Deus, que nos paralisam e atrasam a urgência de ser construtores da paz, promotores da vida – concluiu Francisco. (BS)

08/09/2017 10:22