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Serra Leoa: Contributo de Médicos para África Cuamm contra a emergência

Hospital de 'Médicos com África Cuamm', na Serra Leoa - ANSA

04/09/2017 17:21

Nas últimas semanas Freetown esteve no centro da atenção internacional pelo deslizamento de uma colina da cidade, como consequência de fortes chuvas: estima-se que mil pessoas tenham morrido, metade das quais ainda estão desaparecidas. Embora continuem a seguir as actividades no Hospital Maternidade Princess Christian de Freetown, os Médicos com África Cuamm disponibilizaram-se para dar colaboração e assistência médica – lê-se num comunicado tornado público nesta sexta-feira (01/09).

"Acolhemos o pedido de ajuda da Responsável Nacional do Banco de Sangue, a Dra. Marcela Cooker, para um estoque adicional de bolsas de sangue - declara o Padre Dante Carraro que se encontra por estes dias na Serra Leoa. No quadro da emergência crónica de um país que se esforça para se levantar depois do Ebola, um evento agudo como o deslizamento de terra agrava os processos já fracos e atrai os escassos recursos disponíveis. E assim favorecemos e facilitámos a chegada de 5 mil  bolsos de sangue, doados graças aos fundos da Cooperação Italiana.

Paralelamente com a resposta à emergência aguda, o trabalho de Cuamm continua no Hospital Maternidade Princess Christian, em Freetown, com um importante resultado. Na quinta-feira, 31 de agosto, foi inaugurada a Unidade de Alta Dependência do Hospital, uma sala completamente restaurada e equipada, dedicada a cuidados intensivos de pacientes em condições mais críticas na fase do pós-parto. O hospital, onde a Cuamm opera desde março de 2016, é o maior hospital de maternidade do País e, além de milhares de partos normais, acolhe todos os anos os partos complicados e emergências obstétricas referentes a mais de um milhão de pessoas. Até agora, não havia no hospital uma estrutura dedicada às mulheres hospitalizadas em condições mais críticas e que precisam de monitoramento constante e de pessoal formado nos procedimentos de reanimação. Trata-se de um passo decisivo na luta contra a mortalidade materna que, na Serra Leoa, é das mais altas do mundo.

"No ano passado - explica ainda Padre Dante Carraro – o Hospital Maternidade Princess Christian realizou 5.718 partos, dos quais quase metade foram partos complicados. Embora tenhamos registado melhorias significativas, a mortalidade materna permanece muito alta devido às gravidezes de risco e complicações obstétricas. E isto também porque não havia uma unidade de enfermagem onde as emergências de obstetrícia pudessem ser seguidas de perto.

Equipámos, portanto, uma Unidade de Alta Dependência, um quarto dedicado com 4 camas, cada qual dotada de um monitor para rastrear as funções vitais da mulher, sob a estreita vigilância da equipe. Nas próximas semanas haverá também uma formação particular para o pessoal local, feita por dois médicos anestesistas enviados pela Cuamm. Assim, as novas mães poderão ser seguidas continuamente 24 horas por dia, com turnos de 8 horas pela equipe devidamente formada para lidar com as emergências obstétricas.

Juntamente com o Hospital Maternidade Princess Christian, apenas um outro hospital em toda a Serra Leoa possui uma Unidade de Alta Dependência. Foi uma alegria inaugurarmos esta unidade com as autoridades locais e os nossos médicos empenhados no terreno. Em perspectiva, o objectivo do Ministério da Saúde da Serra Leoa é fazer do Hospital Maternidade Princess Christian um hospital de formação em obstetrícia, mas também para os médicos que desejam especializar-se em obstetrícia, o que agora não é possível no País”.

Nascida em 1950, Médicos com África Cuamm é a primeira ONG no campo da saúde reconhecida na Itália e a maior organização italiana para a promoção e tutela da saúde das populações africanas. Realiza projectos de longo prazo numa perspectiva de desenvolvimento, intervindo com esta abordagem, mesmo em situações de emergência, para garantir serviços de qualidade acessíveis a todos.

Hoje, Médicos com África Cuamm está empenhada em 7 Países da África subsaariana (Angola, Etiópia, Moçambique, Serra Leoa, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda) com mais de 1.600 operadores europeus e africanos; apoia 19 hospitais, 45 distritos (para actividades de saúde pública, assistência materno-infantil, luta contra o AIDS, tuberculose e malária, formação), 3 escolas de enfermagem e 1 universidade (em Moçambique).

(BS)

04/09/2017 17:21