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Sudão do Sul. Dom Kussala: comprometidos com o diálogo e com a gente

Dom Edward Hiiboro Kussala

15/08/2017 16:18

"O motivo da guerra não é tanto político, existem pelo contrário muitas questões tribais e culturais, denuncia o Bispo da diocese de Tombura-Yambio e presidente da Conferência episcopal católica do Sudão, Dom Edward Hiiboro Kussala. "Nós queremos continuar a falar das coisas importantes que se podem fazer no País, enquanto se combate uns contra os outros para ter mais poder e riquezas, não para ajudar as pessoas a melhorar”.

O Papa Francisco tinha manifestado o desejo de visitar o País, mas a viagem certamente não se poderá fazer este ano. A Igreja local, porém, não pára de esperar e trabalhar para que mais cedo ou mais tarde este sonho se torne realidade. Assim, aos microfones da Rádio Vaticano Dom Kussala descreve o Sudão do Sul de hoje:

A situação do Sudão do Sul continua a ser dramática; a guerra ainda não acabou, embora tenha havido negociações de paz. A guerra continua ainda entre os soldados do governo e os rebeldes. Nesta guerra, as vítimas são os inocentes: mulheres, crianças e idosos. Não existe nenhuma zona do Sudão do Sul onde não há sofrimento, porque a guerra se espalhou por todo o País. Na região do Monte Nuba continuam os bombardeamentos: lá também, as pessoas carecem dos meios de subsistência, como os alimentos. A posição da Igreja continua a ser pela paz e a reconciliação: somos a voz moral, nos escutam, mas não fazem aquilo que propomos, como o diálogo para a resolução dos problemas existentes.

Qual é o empenho da Igreja, nestes dias, nas últimas semanas? Sei que tentastes tudo por tudo para procurar obter o diálogo …

A nossa acção como Igreja é continuar a dialogar com os grupos rebeldes, de facto, também no Sudão do Sul agora já não existe apenas um grupo de rebeldes, são vários. Então, visto que são vários procuramos chegar a cada um deles para falarmos da importância da paz. E depois está a posição do governo. Há alguns meses atrás, fui à floresta para falar com os jovens que pegaram em armas: eram mais de 15 mil pessoas, e conseguimos trazer de volta estes jovens da floresta para a cidade, onde tiveram um diálogo com o governo.

Continuamos também a enfrentar as necessidades das pessoas, porque desde que começou a guerra, o governo já não garante os serviços para as pessoas. A Igreja ainda continua a dar de comer, abre as escolas, ajuda os jovens que saem da floresta ... estamos quase para tudo. É difícil porque os nossos doadores estão cansados ​​dos nossos problemas, mas nós o que podemos fazer?  Estamos lá porque a gente vem à igreja: quando existem problemas de segurança e protecção, as pessoas se refugiam nas igrejas. Portanto, o meu apelo para todos é: rezai por nós, e nós tentamos fazer o possível para os necessitados. (BS)

15/08/2017 16:18