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Quénia: 24 mortos em confrontos pós-eleitorais

Protestos no bairro de Kibera, arredores de Nairobi - REUTERS

15/08/2017 12:38

No Quénia, já causou mais de vinte mortos a violência que se vai difundindo na sequência dos resultados das eleições presidenciais de terça-feira 8 de agosto que declararam vencedor o histórico Presidente Uhuru Kenyatta, um resultado considerado como fruto de fraude pelos apoiantes do opositor, Raila Odinga.

Nos confrontos entre vencedores e perdentes, segundo a oposição seria pelo menos de uma centena o número das vítimas, entre elas também dez crianças. Os violentos protestos envolveram diferentes regiões do País, particularmente os bairros de Kibera e a cidade de Nairobi, onde foram mobilizados centenas de polícias de intervenção rápida para defender as ruas por temores de novos protestos dos apoiantes da oposição.

O Secretário-Geral da ONU, Guterres apelou ao candidato derrotado Odinga para "enviar uma mensagem clara aos seus apoiantes para que se abstenham de recorrer à violência", um apelo à moderação veio também da União Europeia e a Grã-Bretanha. "Em linha com a União Africana, a União Europeia - disse numa declaração a Alta Representante da UE, Mogherini - espera que a oposição respeite os resultados e utilize os meios legais disponíveis para fazer valer as suas recriminações”.

Pesadas acusações foram lançadas pela National Super Alliance (Nasa), a coligação dos partidos da oposição no País: "Este terror do Estado - denunciou a Nasa - foi perpetrado após uma meticulosa preparação”.

Recorde-se que em 2007, após outras eleições disputadas em que Odinga foi derrotado, houve mil e duzentos mortos e 600 mil deslocados em confrontos étnicos pós-eleitorais.

"Em 2007, os protestos foram muito mais vastos; algumas áreas eram inacessíveis - ressalta o missionário comboniano Mariano Tibaldo, então Padre Provincial - a grande explosão de violência ocorreu principalmente nas favelas: no bairro de Kibera, que aliás está perto da nossa casa, onde vive cerca um milhão de pessoas; e depois, no bairro de Korogocho, onde pessoas de diferentes grupos étnicos vivem lado a lado. Mas o grande drama do Quénia e de muitas outras zonas da África – prossegue o Padre Mariano - é que a política tem usado a divisão étnica para os seus propósitos: quanto mais a população é pobre, tanto mais a violência explode e tanto mais persiste a divisão étnica".

No entanto, um Quénia instável não beneficiaria ninguém, e se a história é ainda um pouco ‘mestra’, bastaria voltar àquele ano de 2007 para recordar (e evitar!) as consequências económicas e sociais causadas pela interrupção de intercâmbios e comunicação entre o País e Estados como Uganda, Sudão do Sul, Congo, Ruanda e Burundi. (BS)

15/08/2017 12:38