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Burkina Faso, a Igreja: diálogo e unidade contra o terrorismo

Assistência aos feridos no ataque de domingo (13/8) em Ouagadougou - REUTERS

15/08/2017 10:05

"Diálogo e unidade, sentido de pertença a um mesmo País, para além das diferenças religiosas: isto pode impedir que o terrorismo islâmico se enraíze entre os jovens de Burkina Faso" – disse o Padre Ludovic Tougouma da Comunidade Missionária de Villaregia, em Ouagadougou, teatro de um ataque no último domingo (13/08) contra um restaurante turco da cidade, o Aziz Istambul, com pelo menos 18 vítimas de diferentes nacionalidades. Enquanto a União Europeia faz ouvir a sua voz de condenação pelo sucedido e de solidariedade no combate ao terrorismo em toda a região, a Igreja local levanta a possibilidade de contribuir na formação e protecção da comunidade.

Burkina Faso é "um País jovem", afirma o Padre Ludovic, "no qual, porém, sempre houve uma pacífica convivência inter-religiosa": existem famílias mistas de muçulmanos e cristãos, se  partilham festas e se participa uns na vida dos outros. E há também muita confiança entre as hierarquias religiosas. A única maneira que a Igreja tem aqui para combater o avanço do extremismo islâmico e para impedir que os nossos jovens se tornem terroristas é, portanto, "assegurar que continue a colaboração construída até agora em todos os níveis entre cristãos e muçulmanos, e fazer com que os jovens do mesmo bairro joguem juntos e se reconheçam co o pertencentes a uma mesma comunidade”.

"A situação é tensa e estamos sempre na defensiva", diz o Padre Ludovic: apenas há um ano atrás, em janeiro de 2016, na mesma zona de Ouagadougou, um grupo armado ligado à Al-Qaeda no Magrebe Islâmico cometeu massacre entre o Café Cappuccino e os hotéis à volta. "São cerca de dois anos que o terrorismo está fazendo a sua aparição também na cidade", explica Padre Ludovic, "mas trata-se de grupos extremistas vindos do norte predominantemente muçulmano e de muitos apoiantes originários de outros Países". O Burkina é apenas uma ponte para chegar a atacar os interesses ocidentais nos Países costeiros, mas a situação poderia piorar. São várias as mensagens por detrás deste ataque, explica ainda o missionário: "os terroristas querem mostrar que os objectivos são principalmente as forças ocidentais, que não há limite ao seu poder e querem aumentar o medo entre as pessoas”. (BS)

15/08/2017 10:05