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Padre Sosa: Jesuítas em missão para reconciliar com Deus e a humanidade

Pe. Arturo Sosa Superior Geral dos Jesuítas - RV

02/08/2017 14:39

Na memória de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa, Superior Geral dos Jesuítas, falou aos microfones da Rádio Vaticano dos principais desafios, hoje, da Ordem que nasceu em 1534

Para Arturo Sosa, que há nove meses é o primeiro Superior geral dos Jesuítas não europeu, é a primeira festa de Santo Inácio que vive como guia da Companhia e que celebra na igreja romana de Jesus, onde se venera o corpo do fundador, morto no dia 31 de julho de 1556. Esta ocorrência é o ponto de partida para uma entrevista ao L’Osservatore Romano sobre o início do seu generalato. 

Como vê a situação em Venezuela?

Apesar de tudo tenho um olhar optimista, embora ignore o futuro. Mas obviamente a preocupação é grande pelas notícias que se sucedem, como expressaram tantas vezes os bispos e os jesuítas do meu país, o Papa, o Cardeal secretário de Estado e em outros diversos modos a Santa Sé. Mas quero sublinhar um facto: o referendo do dia 16 foi a manifestação civil mais importante de toda a história de Venezuela porque nela participaram sete milhões e meio  de pessoas, isto é, a metade do eleitorado. O percurso do confronto político seria a única via para travar a violência e fazer verdadeiramente política ao serviço das grandíssimas necessidades do  povo.  

Passaram mais de nove meses desde a sua eleição: como os passou?

Com grande paz, com muito trabalho e com a necessidade de aprender tanta coisa nova, rapidamente. Antes de tudo com paz espiritual pois que ocupo um cargo que não procurei e que nem mesmo imaginava que pudesse cair sobre mim: recebi-o dos meus irmãos na congregação geral, contudo o entendo e o vivo como algo que veio do Senhor Jesus, que escolhi como meu companheiro há mais de meio século atrás. O trabalho é na verdade tanto e não é simples conhecer, partindo da minha nova posição, um corpo tão rico e variado como a Companhia de Jesus e os meus colegas da missão. Tudo isto em grande velocidade, porque as decisões não podem esperar.    

O que faria hoje Inácio de Loyola?

Esta é a pergunta que me coloco todos os dias, juntamente com todos os jesuítas. Antes de mais com os treze conselheiros gerais que todas as semanas encontro regularmente um por um, quando não estamos impedidos pelas viagens, enquanto que nas terças e quintas-feiras se reúne todo o conselho. E três vezes por ano, em janeiro, junho e setembro, durante uma semana temos um encontro alargado aos presidentes das seis conferências provinciais e a quatro secretários, num total de vinte e quatro pessoas.

Que finalidade tem este método de governo tão complexo, e que imagino contudo muito útil pelas decisões que deve tomar o padre geral?

A finalidade é compreender precisamente as escolhas a fazer, porque para a Companhia de Jesus, e consequentemente para todos os jesuítas, é fundamental e necessário ser criativamente fiéis à própria vocação e missão. Olhando para Santo Inácio, devemos continuamente percorrer o caminho de retorno às nossas fontes originais. Assim quis o Concílio Vaticano II, e esta decisão foi a salvação para a vida religiosa, que na visão católica é uma inspiração do Espírito. 

Existem critérios que ajudam a entender como realizar esta fidelidade?

Olhamos para a experiência dos primeiros dez jesuítas, quando Inácio e os seus colegas estavam em Veneza para irem à Terra Santa. O projecto revelou-se impossível e se transformou em viagem para Roma, decisivo para a Companhia, como nos contam as fontes e como recordou no passado outono, a nossa trigésima sexta congregação geral reunida para eleger o Superior. Este é o modelo de Veneza: a união da mente e do coração, a pratica de uma vida austera, a proximidade afectiva e efectiva aos pobres, o discernimento comum e a disponibilidade às  exigência de toda a Igreja individuadas e expressas pelo Papa.

Qual é a missão dos Jesuítas?

Hoje a Companhia deve encontrar todos os dias a estrada para pôr em prática a reconciliação. A três níveis: com Deus, com os seres humanos, com o ambiente. Somos colaboradores da missão de Cristo, razão de ser da Igreja da qual fazemos parte. E exactamente a experiência de Deus nos restitui a liberdade interior e nos faz voltar o nosso olhar para quem está cruxificado neste mundo, para compreender melhor as causas da injustiça, e contribuir na elaboração de modelos alternativos ao sistema que hoje produz pobreza, desigualdade, exclusão e põe em risco a vida no planeta. Devemos assim restabelecer uma relação equilibrada com a natureza. Contribuir para esta reconciliação significa também desenvolver as capacidades de diálogo, entre as culturas e entre as religiões. Voltei há pouco de uma viagem na Ásia: Na Indonésia, o País islâmico mais populoso do mundo, tive uma longa conversa com um grupo de intelectuais muçulmanos, e em Camboja encontrei-me com monges budistas, para testemunhar as possibilidades de colaboração entre as religiões como factores que podem favorecer a compreensão e a convivência pacífica e como vias para a pesquisa espiritual.        

Como será possível esta reconciliação?

É fundamental a conversão: pessoal, comunitária “pela dispersão”, ad dispersionem, um termo que significa a necessidade apostólica da missão, e institucional, para reorganizar as nossas estruturas de trabalho e de governo voltadas para a missão. Que é própria de quantos se sentem chamados a ser companheiros de Jesus. (RS)

 

 

02/08/2017 14:39