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Papa em Fátima: a reflexão do padre Nuno Antunes

Padre Nuno Antunes com o Papa Francisco - RV

17/07/2017 11:39

Na rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo” de hoje, transmitimos a reflexão do padre Nuno Antunes, diretor-adjunto da Casa Sacerdotal da Diocese do Porto, que nos fala sobre o seu curto encontro com o Papa Francisco, quando acompanhou nos dias 12 e 13 de maio ao Santuário de Fátima, o padre Joaquim Cunha de 104 anos, que esteve com o Santo Padre.

Na passada edição de “Sal da Terra, Luz do Mundo” registamos o encontro do Papa em Fátima no dia 13 de maio com o padre Joaquim Cunha, o mais idoso sacerdote português, de 104 anos.

A acompanhar o ancião sacerdote estava o padre Nuno Antunes, diretor-adjunto da Casa Sacerdotal da Diocese do Porto, instituição que acolhe sacerdotes e bispos mais idosos.

O padre Nuno Antunes já colaborou com a nossa redação noutras ocasiões e, desta vez, em entrevista à reportagem da Rádio Vaticano, refletiu sobre o seu curto encontro com o Papa Francisco e também sobre a visita do Santo Padre a Fátima:

P – Estre encontro com o Papa Francisco terá tido, com certeza, um significado para ti enquanto sacerdote da Igreja, enquanto servidor da Igreja. Que significado teve o encontro com o Papa?

R – “Aquilo que me marcou muito neste encontro, neste encontro pessoal, nestes minutos ao lado do Papa, que toquei e cumprimentei, foi exatamente a experiência da sua figura, da sua presença humana. Mas o Papa com a sua postura vertical ali ao lado de uma cadeira de rodas, ao meu lado, é, de facto, uma pessoa com muito charme, com muito encanto, com muita presença e que deixa uma presença muito forte e muito intensa. Deixa uma marca muito forte nas pessoas com quem está.”

P – Desde o início do pontificado que se diz que o Papa Francisco olha mesmo nos olhos de cada pessoa. Sentiste isso?

R – “Sim, sim. É que o Santo Padre não está a teatralizar gestos, não está a fazer de conta, a ser simpático, a sorrir porque tem que ficar nas fotos. A pôr a mão de determinado modo para se tornar muito carinhoso, para ficar muito bonito. Nada disso. O Santo Padre está a agir naturalmente, os gestos estão-lhe a sair do coração, as palavras brotam daquilo que ele está a viver, de que está a fazer experiência e isso é o mais marcante. Não teatraliza, é um ser com muita verdade, com muita autenticidade nos gestos que faz, nas palavras que diz, nos modos com que se apresenta. Coisa que não estamos habituados a ver nos clérigos. Estamos habituados a ver palavras medidas, gestos medidos e o Santo Padre deita por terra essas coisas todas e faz ele muito bem no meu entender.”

P – Falavas nas palavras do Papa e podemos ir a isso. As mensagens do Santo Padre, quer no dia 12, quer no dia 13 foram muito fortes. Que reflexão é possível fazer, já com esta distância, em relação à profundidade e à importância das palavras do Papa Francisco?

R – “Lembro-me de uma frase que me marcou: ‘não há nenhuma cruz que os homens passem que Jesus não tenha passado’. Nós temos toda esta teologia da Cruz, mais ou menos, bem elaborada, mas isto dito com esta simplicidade e com esta franqueza é fácil de apropriar no nosso coração, é fácil de guardar na nossa memória e é fácil de fazer atuar exatamente nos momentos de maior dificuldade ou de cruz. Apesar da dor, apesar do sofrimento, apesar da doença, apesar da catástrofe, apesar de tudo aquilo que possas estar a passar a ti e aos teus, àqueles a quem amas, Jesus Cristo está, esteve e estará sempre presente. Ele na sua Cruz abarcou todo o sofrimento, todo o mal, toda a angústia humana, todo o penar humano. E então esta palavra que foi dita pelo Santo Padre foi uma palavra que eu guardei no coração. É muito tranquilizante e reconfortante para os cristãos. Dá-nos uma sensação de solidariedade na dor que, às vezes, não lembramos, que, às vezes, nos esquecemos, sobretudo, quando estamos em momentos de sofrimento e de dor.”

P – Os momentos do Santo Padre em Fátima foram significativos, foram intensos e quiseram, com certeza, também eles deixar uma mensagem para todos os peregrinos que ali estavam e que eram de todo o mundo, via-se pelas bandeiras que ali estavam desfraldadas. Que significado teve para cada uma daquelas pessoas a presença do Papa e a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta?

R – “O impacto da presença do Papa nas pessoas é muito visível. Ele sabe isso. Ele sabe que provoca as pessoas no bom sentido, ele sabe que as pessoas o escutam e as pessoas reagem com toda a atenção com todo o cuidado, com todo o carinho, com todas as emoções a um Papa que é uma pessoa terna, carinhosa que se emociona que mostra os seus sentimentos e que cria uma proximidade humana muito grande com os homens deste tempo e deste mundo. E, portanto, cada homem e cada mulher deste tempo e deste mundo sente-se abraçado, querido, amado e estimado por este Papa. Nas demonstrações que o Santo Padre tem em relação às crianças, aos doentes e aos velhinhos ele é tão extremoso nos seus cuidados, tão sincero nas suas atenções que quase mentalmente, psiquicamente, emocionalmente, as pessoas vão pensar: se este homem é assim com um velhinho, com uma criança, com um doente, com alguém que tem uma deficiência mais visível, então comigo também teria este gesto, esta atenção, este cuidado. Facilmente as pessoas fazem estar transferência: se ele trata assim uma pessoa tão fragilizada, a mim, que não sou tão fragilizado, também me vai tratar assim com muita atenção. E então entregam-se por completo nas palavras, nas vivências, nas propostas que o Santo Padre faz. Ele de facto tem a capacidade de abraçar o mundo, de abraçar cada um, quando está a abraçar o mais frágil, o mais pequenino, o mais diminuído.”

“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

17/07/2017 11:39