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Papa em Fátima: o encontro com um padre de 104 anos

Padre Joaquim Cunha com o Papa Francisco - RV

03/07/2017 10:12

Nesta nossa rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo” registamos o encontro que o Papa teve no dia 13 de maio em Fátima com o padre Joaquim Cunha de 104 anos, no relato do padre Nuno Antunes que acompanhou o ancião sacerdote da sua diocese do Porto à Cova da Iria.

No passado dia 13 de maio na Cova da Iria, antes da Missa no recinto do Santuário na qual canonizou os pastorinhos Francisco e Jacinta, o Santo Padre encontrou-se na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com o mais idoso sacerdote português: o padre Joaquim Pereira da Cunha que nasceu a 8 de julho de 1912 e foi ordenado no dia 8 de agosto de 1937.

O ancião sacerdote que daqui a dias completará 105 anos reside atualmente no Porto, na Casa Sacerdotal da Diocese. A acompanhar o padre Joaquim Cunha estava o diretor-adjunto desta instituição, o padre Nuno Antunes que, curiosamente, já colaborou noutras ocasiões com a nossa redação.

Em entrevista à reportagem da Rádio Vaticano o padre Nuno Antunes apresentou o seu testemunho sobre este acontecimento pleno de ternura:

P – Como foi o processo que permitiu que o padre Joaquim Cunha estivesse com o Papa Francisco em Fátima?

R – “Foi sonhado na Casa Sacerdotal do Porto e depois tentou-se que as coisas pudessem acontecer com alguma facilidade atempadamente. A certa altura percebeu-se que não ia ser possível o encontro porque faltavam uma série de burocracias. Depois, num determinado momento, o Santuário de Fátima percebeu a importância e a diferença do encontro do padre Joaquim Cunha com o Santo Padre pelo seu significado tão profundo e agilizou junto do Vaticano a possibilidade desse encontro.”

P – Quando encontra o Papa Francisco qual foi a reação do padre Joaquim Cunha do alto dos seus 104 anos?

R – “Foi uma troca de olhares muito intensa e muito profunda. O Santo Padre aproxima-se e cumprimenta o padre Cunha, toca-lhe na mão e aperta a mão do padre Cunha. E o padre Cunha diz-lhe imediatamente, ele que está numa cadeira de rodas há bastantes anos: ‘peço desculpa de não me levantar’. E eu disse ao Santo Padre que o padre Cunha pede desculpa por não se levantar. E o Santo Padre olhou para mim e eu olhei para ele num sorriso muito contido. E depois eu disse ao Santo Padre: ‘o senhor padre Cunha tem 80 anos de sacerdócio, 80 anos de serviço e de fidelidade à Igreja’. O Santo Padre olhou, assim com um olhar mais sério e mais profundo por aquilo que eu tinha acabado de dizer, olhou para o padre Cunha, baixou-se, beijou-lhe a mão e disse-lhe ‘reze por mim’. Disse-lhe duas vezes assim como quem está a dizer-lhe um segredo: ‘Reze por mim, reze por mim’. E o padre Cunha respondeu: ‘Eminência, eu já rezo por si desde que o senhor entrou.’ E o momento foi assim, um momento muito simples, de alguns minutos.”

P – Após esse encontro o padre Joaquim Cunha verbalizou mais alguma coisa, quer nesse dia quer nos dias seguintes, de alegria por ter estado com o Papa Francisco?

R – “Foi dizendo que estava muito feliz que esteve com o Papa. Foi muito sereno e, certamente, guardou mais intimamente o encontro e o significado e grandeza do encontro. Ele, padre Cunha, tão ligado à Mensagem de Fátima, aos acontecimentos de Fátima ao longo da sua vida e no ano do Centenário conseguir estar em Fátima e ter o privilégio de um encontro com o Santo Padre, acho que é muito marcante para o ser dele, para a sua vivência, para aquilo que ele é.”

P – Para a Casa Sacerdotal, onde estão tantos sacerdotes, todos eles já com muita idade, foi um momento importante e significativo para o futuro desta instituição?

R – “Claro que sim. A Casa Sacerdotal é um lugar sagrado, onde muitas vidas continuam a ser entregues, agora de uma outra forma, já não nos serviços pastorais que tantos sacerdotes e bispos exerceram nas mais diversas situações, mas passa por ser agora um lugar de repouso sagrado em que as pessoas estão bastante pacificadas, têm tempos para a sua reflexão, para a sua oração, para a sua paz interior. E isso é aquilo que se tenta criar, que se tenta conseguir da melhor maneira.”

Na próxima edição de “Sal da Terra, Luz do Mundo” transmitiremos a segunda parte desta entrevista com o comentário do padre Nuno Antunes sobre o seu encontro com o Papa Francisco e também a sua reflexão sobre a visita do Santo Padre a Fátima nos dias 12 e 13 de maio.

“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

03/07/2017 10:12