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Papa em Fátima: reflexões de António Marujo e Joaquim Franco

Papa Francisco no Santuário de Fátima

19/06/2017 12:37

Nesta nossa rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo” fazemos uma síntese do essencial das mensagens do Santo Padre em Fátima nos dias 12 e 13 de maio no comentário dos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco que editaram recentemente um livro sobre o Papa Francisco.

O passado mês de maio foi vivido em Portugal com grande emoção e alegria pela visita do Papa Francisco ao Santuário de Fátima no Centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. Ocasião também para o Santo Padre canonizar os pastorinhos Francisco e Jacinta.

“Temos Mãe” – foi uma das principais e fortes mensagens que marcaram os interpelantes pronunciamentos do Papa no Santuário de Fátima onde foi saudado por cerca de um milhão de fiéis.

Apresentando-se como peregrino da paz e da esperança, Francisco afirmou, na noite de 12 de maio, que através da oração do Terço “o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo”.

No seu pronunciamento antes da Procissão de Velas, o Papa lançou nessa noite, importantes pistas de reflexão: será Maria uma “Senhora inatingível” ou uma “Santinha a quem se recorre para obter favores”? Será “mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por nós?” – perguntou o Papa.

De registar ainda na mensagem da noite de 12 de maio a seguinte afirmação, citando a sua Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”: “sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes” – afirmou Francisco.

No dia 13 de maio em Fátima o Papa canonizou os pastorinhos Francisco e Jacinta e, na sua homilia, sublinhou que na Cova da Iria em 1917 os pastorinhos foram envolvidos pelo “manto de Luz” que “irradiava de Nossa Senhora”, manto de Luz “que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus» – afirmou Francisco salientando que Jesus é a esperança.

Citando as Memórias da Irmã Lúcia, o Papa recordou a visão de Jacinta percorrida por “caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome”. Francisco propôs uma “mobilização geral” contra a “indiferença” e declarou que “a vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida” tal como o “grão de trigo” que lançado à terra, “se morrer, dá muito fruto”.

O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que o rosto da Igreja brilha quando ela “é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

Para uma leitura sobre as principais mensagens de Francisco em Portugal, pedimos aos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco que fizessem uma reflexão sobre o essencial das mensagens do Papa em Fátima.

Estes dois jornalistas tal como demos notícia na passada edição desta rubrica, editaram, recentemente, um livro sobre o Papa Francisco e viveram intensamente as celebrações de Fátima com o Santo Padre.

António Marujo disse à reportagem da Rádio Vaticano que Francisco em Fátima fez apelos muito fortes, sendo o primeiro o apelo a uma fé purificada:

“Em termos da mensagem que ele deixou em Fátima parece-me que há dois ou três apelos muito fortes. Um apelo a uma fé purificada, quando ele pergunta às pessoas: somos peregrinos de Maria, de uma Maria que é mestra de vida espiritual, ou de uma santinha que nos dá favores a baixo preço? Portanto, o ele dizer isto em Fátima é muito significativo, porque, obviamente, ele está a dizer às pessoas: o que vocês aqui fazem e o que vêm fazer é muito importante, mas há aqui coisas para melhorar e para purificar. E esse é um apelo, não só para quem vai ao Santuário mas também para os responsáveis da Igreja e do próprio Santuário no sentido de ajudar ainda mais, porque tem havido esse esforço, há que reconhece-lo, ajudar ainda mais as pessoas a purificarem a sua fé e o seu modo de se relacionarem com Deus. E depois uma mensagem em que diz: o ser peregrino e vir a Fátima tem uma tradução política muito importante; política num sentido global e nobre do termo, obviamente, porque não é por acaso que o Papa cita uma conversa de Jacinta, agora Santa Jacinta, em que ela lembra as pessoas que não têm que comer, não têm pão para comer; e ele retira daí as consequências para o que é que isso quer dizer hoje: na atenção aos mais pobres, aos doentes, aos desempregados, aos marginalizados da sociedade, a todo um conjunto de situações que merece a atenção dos cristãos e da Igreja no seu conjunto. Portanto, é de facto uma forma de dizer: não é só vir aqui cumprir uma devoção é perceber que essa devoção passa sempre pelo compromisso e pela proximidade em relação às outras pessoas.”

Por sua vez Joaquim Franco recordou no depoimento que nos concedeu a mobilização geral contra a indiferença proposta pelo Papa Francisco em Fátima:

“Citando uma carta da Irmã Lúcia dizia que ‘ao pedir e exigir o cumprimento dos nossos deveres de estado, o céu desencadeie uma verdadeira mobilização geral contra a indiferença’. Isto é um claro apelo ao exercício político e à cidadania da política. E depois ele dizia: ‘para que o nosso coração não fique míope, para que não se agrave a miopia do olhar’. Que não queiramos ser uma ‘esperança abortada’! Isto é muito forte!”

“Este é o desafio de sempre do Evangelho! É o desafio que faz com que o Evangelho não seja apenas um livro para cristãos ou para católicos, mas seja um livro universal. Lança a humanidade ao encontro do outro. Parece-me que a figura do Papa Francisco tem a característica revolucionária, precisamente, porque lança o Evangelho numa dimensão sem negar nada do que dois mil anos de história dizem, sem contrariar nada o edifício normativo ou doutrinário da Igreja, lança o Evangelho naquilo que me parece essencial. Há uma frase do Papa Francisco em Fátima que é quase que um novo resumo do Evangelho: há aquela célebre ideia de Jesus quando diz ‘tudo isto se resume a uma frase’ e nem vale a pena repeti-la aqui; ele tem uma expressão em Fátima que me parece que é altamente simbólica e que é reveladora do que para o Papa Francisco significa ser fiel ao Evangelho. Ele diz: ‘a vida só pode sobreviver com a generosidade de outra vida’. Está aqui tudo.”

O Papa esteve em Portugal nos passados dias 12 e 13 de maio como peregrino da esperança e da paz visitando o Santuário de Fátima. Marcantes as fortes mensagens de Francisco e a profundidade dos momentos de fé ali vividos, em particular, o silêncio durante a oração do Santo Padre quando chegou à Capelinha das Aparições. Estavam em Fátima cerca de um milhão de pessoas.

 “Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

19/06/2017 12:37