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Francisco no Quirinal: olho para a Itália com esperança

- ANSA

10/06/2017 14:50

Cidade do Vaticano (RV)- O Santo Padre recebeu, na manhã de hoje, sábado, dia 10 de Junho de 2017, às 9.30 horas locais de Roma, em audiência na Casa Santa Marta, no Vaticano, o Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. A seguir, às 10,45, Francisco deixou a cidade do Vaticano e se dirigiu de carro para o Quirinal de Roma, sede da Presidência da República Italiana, para retribuir a visita que o Presidente Sergio Mattarella lhe fez no passado dia 18 de Abril de 2015.

Às 11,00 horas locais, Francisco chegou ao Pátio de Honra do Quirinal, onde recebeu as boas-vindas do Presidente da República Italiana e a saudação do Piquete de honra, com os hinos dos dois países. A seguir o Papa manteve um encontro privado, às portas fechadas, com o Presidente Mattarella e durante o qual houve também o intercâmbio de presentes. Depois da apresentação de ambas as delegações oficiais, Francisco se deteve em oração na Capela da Anunciação. E após o discurso de saudação do Presidente italiano, na sua grande parte concentrado sobre os problemas da juventude hodierna, o Papa tomou a palavra e pronunciou também o seu discurso.

<<Olho para a Itália com esperança. Uma esperança radicada na memória grata para com os pais e os avós, que são também meus, porque as minhas raízes estão neste país. Memória grata para com as gerações que nos precederam, e que com a ajuda de Deus, levaram avante os valores fundamentais da dignidade da pessoa, da família, do trabalho etc. Eles colocaram também estes valores no centro da Constituição republicana, que ofereceu e oferece um quadro estável de referência para a vida democrática do povo. Uma esperança, portanto fundada sobre a memória, uma memória grata>>.

Vivemos, entretanto, observou Francisco, um tempo em que a Itália e  toda a Europa, em conjunto, são chamados a enfrentar uma série de problemas e riscos de vária natureza tais como o terrorismo internacional que encontra alimento no fundamentalismo religioso; o fenómeno migratório que se agravou por causa das guerras e dos graves desequilíbrios persistentes a nível social e económico de muitas áreas do mundo; e finalmente as dificuldades da juventude hodierna de encontrar um trabalho estável e digno, o que contribui a aumentar a desconforto em relação ao futuro  e não favorece o nascimento de novas famílias e filhos/as.

Agrada-me porém relevar, observou ainda o Papa, que a Itália, mediante a operosa generosidade dos seus cidadãos e o empenho das suas instituições e fazendo apelo aos seus abundantes recursos espirituais, trabalha para transformar estes desafios em novas oportunidades para o desenvolvimento do país.

Uma prova de tudo isso, sublinhou ainda o Pontífice, é o acolhimento aos milhares de prófugos que se desembarcam nas costas do mar Mediterrâneo; a obra de primeiro socorro que lhes é garantido pelos navios italianos presentes no Mar Mediterrâneo e o empenho de milhares de voluntários, entre eles, se distinguem também associações e entes eclesiais e a capilar rede das paróquias italianas. Uma outra prova é o imenso empenho da Itália no âmbito internacional a favor da paz, da manutenção da segurança e da cooperação entre os Estados.

Quero recordar a força animadora da fé com a qual as populações do Centro da Itália atingidas pelo terremoto viveram aquela dramática experiência, com tantos exemplos de profícua colaboração entre a comunidade eclesial e a comunidade civil.

De facto, a Igreja na Itália, recordou o Santo Padre, é uma realidade viva, fortemente unida à alma do País, ao sentir da sua população. Vive as alegrias e as dores, e procura, segundo as suas possibilidades, de atenuar os sofrimentos das pessoas, de reforçar o legado social, de ajudar todos a construir juntos um bem comum.

Finalmente, o Papa recordou entre outras coisas ainda que a Itália tem um singular peso, a honra e a consequente responsabilidade de hospedar, no próprio país, a sede do governo universal da Igreja Católica. Assim sendo, prosseguiu o Papa, é evidente que não obstante as garantias do Tratado de 1929, todavia, a missão do Sucessor de Pedro não seria facilitada sem a cordial e generosa disponibilidade e colaboração do Estado italiano.

Senhor Presidente, estou certo que se a Itália souber fazer tesouro de todos os seus recursos espirituais e matérias em espírito de colaboração entre as suas diversas componentes civis, encontrará o caminho justo para um ordinário desenvolvimento e para governar, de maneira mais apropriada, os fenómenos e as problemáticas que afectam o país. A Santa Sé, a Igreja Católica e as suas instituições asseguram, na distinção do papel e das responsabilidades, a efectiva colaboração em vista do bem comum. Na Igreja Católica e nos princípios do Cristianismo, que plasmam a sua rica  e milenária história, a Itália encontrará sempre o melhor aliado para o crescimento da sociedade, para a sua concórdia e para o seu verdadeiro progresso. Que Deus abençoe e proteja a Itália.

Por fim, antes de voltar ao Vaticano, Francisco e Mattarella encontram, nos Jardins do Quirinal, cerca de 200 crianças provenientes da região do centro da Itália, atingida pelo terremoto. 

10/06/2017 14:50