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Bispo de Ahiara continua sem poder tomar posse - Papa toma posição

D. Ignatius Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria - ANSA

10/06/2017 15:47

O Papa Francisco exprimiu dor e tristeza pela Diocese de Ahiara, na Nigéria, cujo bispo, D. Okpaleke, regularmente nomeado há dois anos, não ter ainda sido reconhecido na Diocese. A notícia foi dada pelo Presidente da Conferência dos Bispos da Nigéria, D. Ignatius Kaigama, na sua página web, e retomada pela agencia Fides.

Quinta-feira passada, o Papa recebeu em audiência uma delegação da Igreja na Nigéria, ocasião em que solicitou explicitamente os eclesiásticos da Diocese de Ahiara a manifestarem obediência, sob pena de suspensão a divinis. “Quem se opõe à tomada de posse de D. Okpaleke quer destruir a Igreja e comete pecado mortal” – disse o Papa. Francisco acrescentou que a Diocese de Ahiara  “está desde há anos num estado de viuvez por o bispo ter sido impedido de tomar posse”.

A delegação recebida pelo Papa era formada pelo Cardeal Onaiyeken, arcebispo de Abuja e Administrador Apostólico da Diocese de Ahiara, por D. Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, e pelo próprio D. Okpaleke, Bispo nomeado para Ahiara.

Evocando a parábola dos vinhateiros assassinos, o Papa comparou essa Diocese à mulher “sem esposo, que perdeu a sua fecundidade e não pode dar fruto”.  Quem se opôs à tomada de posse do bispo – continuou Francisco – quer destruir a Igreja. “Isto não é permitido. O Papa não pode ficar indiferente”.

Francisco louvou a paciência mostrada pelo bispo e confessou ter mesmo pensado em suprimir essa diocese, mas “a Igreja é mãe e não pode abandonar tantos filhos” – afirmou. O Papa declarou-se triste por os sacerdotes serem “manipulados”, talvez mesmo do estrangeiro e de fora da Diocese: “não se trata de um acaso de tribalismo – precisou – mas de apropriação da vinha do Senhor”.

“Quem ofende a Igreja comete pecado mortal” – daí a solicitação a cada eclesiástico incardinado na Diocese de Ahiara, mesmo se residente no estrangeiro, a pedir perdão por escrito ao Papa no prazo de 30 dias sob pena de suspensão a divinis e a exclusão definitiva do múnus sacerdotal. Cada um deve escrever singularmente e pessoalmente – precisou o Papa – e manifestar total obediência” ao sucessor de Pedro". Na missiva os eclesiásticos devem exprimir a própria disposição em aceitar o bispo nomeado.

Consciente de poder parecer “muito duro”, Francisco explicou, todavia, que o povo está escandalizado e que “Jesus recorda que quem escandaliza, deve assumir as consequências”. “Talvez – conclui o Papa - alguém foi manobrado sem um pleno conhecimento da ferida infligida à comunidade eclesial”. O Papa aceitou o pedido de conceder audiência no Vaticano com os eclesiásticos da Diocese e ao bispo de Ahiara quando a questão for resolvida.

(DA) 

10/06/2017 15:47