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A “Revolução Imparável” do Papa Francisco

"Papa Francisco - A Revolução Imparável", de António Marujo e Joaquim Franco - RV

06/06/2017 10:19

Nesta nossa rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo” apresentamos hoje uma sugestão de leitura: “Papa Francisco, a Revolução Imparável”, um livro da autoria dos jornalistas portugueses António Marujo e Joaquim Franco. Uma obra que propõe uma reflexão sobre os quatro anos do pontificado de Francisco.

Foi lançado no passado mês de abril em Portugal, com apresentação do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, o livro “Papa Francisco, a Revolução Imparável” da autoria dos jornalistas portugueses António Marujo e Joaquim Franco, publicado pela editora Manuscrito. Uma obra que analisa o pontificado de Francisco refletindo sobre os principais temas e atitudes do Santo Padre, tais como, a ideia de revolução da ternura que o Papa propõe, a atitude de desprendimento, o papel do discernimento, o cuidado da Criação, o carácter insubstituível do diálogo e a prioridade do combate à pobreza.

A Rádio Vaticano encontrou, em finais do mês de maio, os autores deste livro, António Marujo e Joaquim Franco, na Igreja dos Clérigos na cidade do Porto, numa das várias sessões de apresentação da obra. António Marujo disse à nossa reportagem que este livro pretende fornecer uma “chave” de leitura que vá para além das notícias do quotidiano cruzando elementos do pontificado com outros do percurso de Francisco enquanto arcebispo de Buenos Aires:

“O livro pretende ser uma espécie de leitura do pontificado do Papa Francisco, também cruzando isso com alguns elementos do que ele já tinha sido enquanto arcebispo de Buenos Aires, enquanto padre e bispo, no sentido de dar às pessoas uma chave que vá para lá das notícias do quotidiano. Quer dizer, o perceber que determinados gestos ou afirmações do Papa se inserem num conjunto, num pensamento, num conjunto de ações e numa proposta de estilo de vida para os cristãos e para os não cristãos, para a humanidade no seu conjunto.”

O jornalista Joaquim Franco, coautor deste livro, em entrevista à Rádio Vaticano, sublinhou que o Papa Francisco “abre novos caminhos” e salientou que este livro procura “dar pistas” para chegarmos a uma leitura do pontificado:

“Fazemos uma interpretação desta personagem que é fundamental para compreendermos o nosso tempo. A partir dessa interpretação procuramos dar pistas para chegar a uma leitura, é, de resto, essa a função do jornalista: dar pistas para interpretar e permitir uma leitura desta personagem no seu contexto que é o tempo e o espaço. E neste contexto, seja a macropolítica, seja a micropolítica, e a coisa mais básica de um ponto de vista evangélico que é a relação com o outro, temos um Papa Francisco que é exemplar nos tempos que correm. Abre novos caminhos sobre a perspetiva de ser líder e de ser liderança no mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, uma nova perspetiva de acolhimento ao outro, independentemente, da sua condição de ser.”

António Marujo referiu nesta entrevista alguns dos temas do livro, como por exemplo a escolha do nome do pontífice, considerando-a com “sentido programático”:

“Há muitas coisas importantes no pontificado, por exemplo: a escolha do nome com sentido programático de alguém que quer aproximar a Igreja e os cristãos dos mais pobres, daqueles que mais precisam. Os pobres aqui com muitos sentidos, no pensamento do Papa são com muitos sentidos, mas, obviamente, também os pobres em sentido literal, as pessoas que não têm dinheiro para comer, que não têm dinheiro para se vestir, que não têm um teto, que não têm trabalho, etc. Portanto, temos um capítulo que se chama ‘um nome, um programa’ dedicado exatamente a analisar e a refletir sobre essa dimensão. Depois questões centrais no pontificado como sejam a ideia da misericórdia que se desdobra em questões como a família. Portanto, temos um capítulo sobre a ideia da misericórdia e um outro sobre o que isso se traduz no pensamento em relação à realidade das famílias. E depois alguns capítulos mais políticos, podemos dizer assim, por exemplo, a questão da ecologia a propósito da encíclica que o Papa publicou sobre o tema, mas não só, porque ele tem outras afirmações e outras circunstâncias em que falou e agiu acerca do tema, nomeadamente, em relação à conferência de Paris sobre o clima. E também a ideia, que nós chamamos ‘o pároco da aldeia global’: essa ideia de um pastor que se faz próximo e que as pessoas entendem que de facto está próximo delas também.”

Na apresentação portuense deste livro sobre o Papa Francisco, proposto pelos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco, esteve presente a pintora Mónica Baldaque que, amavelmente, prestou declarações à nossa reportagem, assinalando a importância das intervenções do Papa sobre a ecologia:

“O que me fica, sobretudo, depois de ler este livro!? Porque o Papa Francisco a gente conhece-o, eu conheço-o do que vou lendo e do que vou vendo, daquilo que vou assistindo das suas intervenções, mas depois de ler este livro fiquei extremamente perplexa em relação a várias intervenções que ele tem tido. Primeiro abri o livro ao acaso e achei que me apetecia imenso falar, porque me senti tão identificada com o problema que ele levanta da ecologia, de salvar a terra, da maneira como ele vê todo esse problema que é grave. Mas depois comecei a ler mais atentamente e achei que havia tanta coisa para dizer, tanta coisa para ouvir e para refletir.”

“Vou falar de uma das reuniões da Curia antes do Natal em que ele fala dos pecados… das 15 doenças… e achei fabuloso. É profundamente inquietante para quem ler e interiorizar. Está ali o princípio de uma revolução, de uma mudança muito profunda que a Igreja precisa.”

De referir que o bispo do Porto, também esteve presente nesta apresentação do livro “Papa Francisco, a Revolução Imparável” que teve lugar na cidade do Porto. Dom António Francisco dos Santos sublinhou alguns pontos essenciais do pontificado de Francisco: a bênção do povo de Deus ao bispo de Roma na noite da sua eleição; a decisão de viver em Santa Marta; a reforma da Curia; a eclesiologia de comunhão; a metodologia do trabalho sinodal; a misericórdia; o ecumenismo e a pobreza na Igreja – assinalou Dom António, bispo do Porto.

“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

06/06/2017 10:19