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Pontifício Colégio Português recebe título de 'Casa da Vida'

Papa Francisco recebe comunidade do Pontifício Colégio Português na Sala do Consistório

31/05/2017 10:17

O Pontifício Colégio Português de Roma recebeu nesta terça-feira o título de ‘Casa da Vida’, numa iniciativa da Fundação Raoul Wallenberg por ter escondido judeus e outras pessoas perseguidas pelo regime nazista na II Guerra Mundial.

O reitor da instituição afirmou que a distinção ‘Casa da vida’ é atribuída em nível institucional depois do Padre Joaquim Carreira, Vice-reitor e Reitor do Pontifício Colégio Português entre os anos 1940 e 1954, ter sido considerado ‘Justo entre as Nações’ a título póstumo, em 2010, pelo Memorial do Holocausto.

II Guerra Mundial

O Padre José Fernando Caldas recorda que, durante a II Guerra Mundial, “houve um apelo do Papa Pio XII” a várias Congregações religiosas para acolher aqueles que estavam sendo perseguidos, um desafio acolhido pelo Pontifício Colégio Português de Roma.

“O Monsenhor Joaquim Carreira, que era o reitor na época, acolheu no período de 1943-44 pelo menos 40 pessoas, provavelmente mais de 50 pessoas, judeus mas também todos os perseguidos pelo seu pensamento político”, esclareceu.

Colégio acolheu não só judeus

Entre as pessoas escondidas, entre setembro de 1943 e junho de 1944, além de judeus, havia socialistas, resistentes antifascistas e outros cidadãos italianos que se opunham ao nazi-fascismo.

O actual reitor do Pontifício Colégio Português de Roma afirma que o risco em esconder pessoas perseguidas pelo regime nazista não era apenas pessoal, do Padre Joaquim Carreira, mas de todos que viviam na instituição.

“Todos continuaram a fazer uma vida normal sabendo que tinham na casa refugiados. Quando passava a SS na rua tinham de apagar as luzes ou os refugiados tinham de se fazer passar por padres, empregados”, destacou.

Casa da Vida

O Pontifício Colégio Português de Roma recebeu na terça-feira o título ‘Casa da Vida’ numa cerimónia com a presença de representantes da Fundação Wallenberg, do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o Cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente.

O padre José Fernando Caldas destaca a presença de Luigi Priolo, um dos refugiados escondidos no colégio “desde dezembro de 43 até junho 44”, que foi secretário-geral do senado de Itália e tem memória dos momentos que viveu na instituição.

O Pontifício Colégio Português, em Roma, foi criado pela Carta apostólica ‘Rei catholicae apud lusitanos’, do Papa Leão XIII, para acolher padres enviados para Roma pelos seus bispos ou superiores, com o objectivo de aprofundarem os estudos nas várias áreas do saber humano e teológico. (SP-Ecclesia)

31/05/2017 10:17