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“O Papa Francisco traz-nos a passagem da palavra ao ato”

Jorge Gabriel /Foto: Rui Saraiva - RV

29/05/2017 09:26

Ainda a propósito da visita do Papa Francisco ao Santuário de Fátima nos dias 12 e 13 de maio como peregrino da paz e da esperança, no Centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, a Rádio Vaticano ouviu o depoimento do jornalista e apresentador de televisão Jorge Gabriel.

A pé, de bicicleta ou de carro, Fátima tem sido um caminho sempre procurado por Jorge Gabriel que viveu intensamente a visita do Santo Padre ao Santuário de Fátima.

O apresentador do programa Praça da Alegria, que de segunda a sexta-feira é transmitido pela Rádio Televisão Portuguesa, sublinhou, em entrevista ao Programa Português da Rádio Vaticano, que “o Papa Francisco traz-nos a passagem da palavra ao ato”:

“O Papa Francisco traz-nos a passagem da palavra ao ato. Ao Papa Francisco não basta uma bonita homilia ou um discurso de circunstância que caia bem junto dos seus pares ou junto de quem o ouve, o Papa Francisco pratica aquilo que julgávamos que o grande líder da Igreja já não… já não lhe fosse atribuído esse tipo de função. É essa a substancial diferença desta mudança que já vinha descrita por João Paulo II. Não me esqueço do papel fundamental de João Paulo II para conseguir folhear as primeiras páginas do livro da vida do Papa Francisco. O Papa Bento XVI talvez tenha sido o pêndulo entre o Papa João Paulo II e o Papa Francisco para também ajudar a consolidar os alertas que o Papa João Paulo II tinha lançado e que tão estranhamente foi encarado pelo mundo: como é possível, alguém que chegue a um território e que beije o chão desse território, como que a abençoar, como que a receber a bênção do território onde se encontra.”

Neste seu depoimento à Rádio Vaticano, Jorge Gabriel afirmou que foi a Mãe de Jesus a primeira a acreditar “no Salvador que aí vinha” e sublinhou que o Papa em Fátima recordou Maria e o carinho das mães. O apresentador de televisão português salientou que Francisco entrega a Igreja “àqueles que mais necessitam” numa “Igreja pobre mas rica de afetos”:

“ O que é que ele faz a não ser entregar a Igreja àqueles que mais necessitam, ter uma Igreja pobre mas rica de afetos, ter uma Igreja fora dos seus templos e próxima do templo da família. Repara que ele esteve, constantemente, a entregar à mãe a primeira palavra de credulidade. Foi a primeira mãe que acreditou no Salvador que aí vinha. Foi a Mãe que acabou por pedir ao Filho que efetuasse o seu trabalho, que efetuasse a sua obra, acreditar na sua Palavra, para que Ele transformasse a água em vinho, para que Ele desse mais comida na boda. E isso, quando ele sublinha por três vezes: a Mãe, a Mãe, a nossa Mãe, leva-nos depois a olharmos para a nossa, para aquelas mães e mulheres que sempre têm aquele afeto que nos diferencia entre homens e mulheres. Aquele carinho especial que a mulher encerra em si que o Papa não quis ignorar.”

Recordando os momentos vividos com o Papa nas celebrações de 12 e 13 de maio em Fátima, Jorge Gabriel sublinhou o silêncio intenso na primeira oração de Francisco na sua chegada à Capelinha das Aparições. Um silêncio acompanhado pelos peregrinos numa experiência que revela a necessidade que a “humanidade” tem de silêncio para “refletir sobre os seus atos”:

“No seu silêncio…Como é importante que aquele momento, que aqueles 7 ou 8 minutos… Que foi uma eternidade, mas que foi a eternidade que a humanidade está a precisar para refletir sobre os seus atos. Porque nós estamos tremendamente reativos e muito pouco proactivos e estas reações fazem-nos perder um pouco o tento. Porque estamos sempre impulsionados por algo, impulsionados por alguém para que cometamos algo. O Papa Francisco o que fez foi: vamos olhar primeiro para dentro para depois compreendermos como é que podemos encarar o mundo, como é que podemos encarar o próximo, como é que podemos resolver pelo melhor aquilo com que nos defrontamos.”

No final desta entrevista o apresentador de televisão Jorge Gabriel apelou para a atitude que o silêncio proporciona dizendo que “às vezes, o melhor que temos a fazer” é “pararmos única e exclusivamente para nos escutarmos, mesmo que seja em absoluto silêncio”:

“ Às vezes o melhor que temos a fazer, nem será rezar, nem orar a um santo, nem pedir a intervenção divina, é pararmos única e exclusivamente para nos escutarmos, mesmo que seja em absoluto silêncio.”

(RS)

29/05/2017 09:26