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O trabalho deve ser para viver com dignidade - Papa em Génova

Trabalhadores no encontro com o Papa em Genova - ANSA

27/05/2017 12:22

O Papa Francisco partiu esta manhã às 7 horas da Casa Santa Marta com destino a Génova, noroeste da Itália, para uma visita pastoral que se concluirá ao fim da tarde com uma missa campal na Praça Kenedy da cidade.

O primeiro encontro do Papa foi às 8.30 com o mundo do trabalho, em frente da Fábrica siderúrgica ILVIA que nos últimos tempos tem enfrentados muitos problemas. Depois, às 10 horas, Francisco encontrou-se, na Catedral de São Lourenço, com bispos e todos os seus colaboradores e representantes de outras confissões; seguiu-se às 12.15 o encontro com os jovens da Missão Diocesana no Santuário de Nossa Senhora da Guarda, de onde saudou brevemente, em ligação directa, os detidos da prisão de Génova; após o almoço numa sala do santuário, encontra-se neste momento no Hospital pediátrico “Gianina Gaslini” para um encontro com as criancinhas e o pessoal. Às 17 horas, será o enceramento desta visita apostólica de um dia, com a celebração da Missa. A chegada de Francisco ao aeroporto de Roma/Ciampino está prevista para as 19.30.

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Sob um Céu limpo e o mar azul, o Papa iniciou, portanto a sua visita para confirmar na fé e no elã missionário a cidade de Génova, como afirmou o cardeal Bagnasco, arcebispo da cidade. O Papa regressa assim à região donde emigraram os seus avós para a América Latina. Regressou, portanto, como “filho de emigrante”.

No seu primeiro encontro que foi, como dizíamos, com o mundo do trabalho, Francisco foi acolhido calorosamente pelos trabalhadores desempregados e empresários, que lhe puseram algumas questões a que ele foi respondendo. Começou por declarar-se  comovido por se encontrar em Génova e pela primeira vez “estar tão perto do porto”, donde o seu pai partiu como emigrante.

O primeiro a dirigir-se ao Papa foi um empresário que lhe pediu uma palavra de encorajamento perante os numerosos obstáculos com que os empresários se confrontam: excessiva burocracia, lentidão nas decisões públicas, falta de serviços e infra-estruturas adequadas…

 “Hoje  - disse  o Papa – o trabalho é um risco. É um mundo onde não se considera o trabalho com a dignidade que tem e que dá”. Francisco frisou que “o mundo do trabalho é uma prioridade humana. E, por isso, é uma prioridade cristã, uma prioridade nossa; e uma prioridade para o Papa, porque é o primeiro mandamento de Deus que disse a Adão: “Vai, faz crescer a terra, trabalha a terra, domina-a”.

Um dos males da economia – disse Francisco - é a progressiva transformação dos empresários em especuladores. Mas são duas figuras diferentes: o especulador não ama a empresa, não ama os trabalhadores, considera-os apenas como meios para obter lucro. É uma economia sem rosto. O bom empresário é amigo das pessoas e mesmo dos pobres. O Papa recomendou tanto aos empresários como a trabalhadores a estarem atentos aos especuladores e às  regras e leis que favorecem este últimos e não aos verdadeiros empresários, e acabam por deixar as pessoas sem trabalho.

A uma representante sindical que manifestava receio pela nova revolução industrial em curso e que corre o risco de não transformar a palavra trabalho numa forma concreta de resgate social, o Papa respondeu que o trabalho é um pacto social e que a Itália é uma republica democrática fundada no trabalho. Por isso o trabalho é fundamental e deve ser garantido a todos não apenas para sobreviver mas para viver com dignidade. E jogando com as duas palavras em italiano (ricato e riscato ) disse que o trabalho deve ser uma forma de resgate social e não vingança social.

Falou depois um jovem que está a fazer um caminho de formação promovido pelos capelães. Ele  pediu conselhos para preservar a fraternidade, a solidariedade e a colaboração e não a concorrência desenfreada no mundo do trabalho.

O Papa respondeu chamando a atenção para a antropologia cristã segundo a qual a empresa é antes de mais cooperação, mútua assistência, reciprocidade. E recomendou que não se conceba a tão decantada meritocracia como uma legitimação ética da desigualdade, mas sim como um dom. Recomendou também que a meritocracia não seja uma forma de considerar o pobre como quem não merece, como um culpado pela sua pobreza.

Uma desempregada perguntou ao Papa onde encontrar a força para acreditar sempre e não se desencorajar não obstante o facto de não sentirem a proximidade do Estado aos desempregados, mas apenas a Igreja.

A resposta do Papa incluiu a condenação às más formas de trabalho (prostituição, pornografia, tráfico de armas, etc.) a que muitas pessoas são submetidas por falta de um trabalho digno. E disse que há que continuar a pedir trabalho sem se resignar; a rezar, pois que muitas belas orações estão relacionadas com o trabalho. Os campos, o mar, as fábricas foram sempre altares de oração…

E o Papa terminou este encontro que quis que fosse num estabelecimento de trabalho e não numa paróquia, com uma oração em que invocou o Espirito Santo sobre o mundo do trabalho e sobre os trabalhadores. 

(DA)

27/05/2017 12:22