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Sudão do Sul: mais de um milhão de crianças forçadas a fugir

Deslocados internos, arredores de Juba, Sudão do Sul - REUTERS

16/05/2017 11:26

Um protesto para chamar a atenção da opinião pública internacional sobre o colapso da economia do Sudão do Sul – teve lugar recentemente em Juba, ao mesmo tempo que também se agrava a situação de emergência humanitária, sobretudo para as crianças, segundo a ONU.

O Sudão do Sul está à beira do colapso e estudantes e cidadãos vão às ruas em Juba e protestam. Embora apoiado numa das maiores bacias petrolíferas da África, o jovem País viu piorar a sua economia, em particular, depois da guerra que eclodiu em dezembro de 2013, com confrontos sangrentos entre as tropas do governo do presidente Salva Kiir e os partidários do vice-presidente Riek Machar – informa, a partir de Nairobi, Bruna Sironi, correspondente da revista Nigrizia para o Corno de África:

"O País está a braços com uma inflação galopante pelo que acontece ir de manhã para comprar alguma coisa no mercado e regressar à tarde e o preço do produto já mudou e aumentou. Cem dólares se trocam agora com 8.500 xelins: antes da guerra se trocavam com 350. No País já houve problemas com a mudança de moeda, por causa de muita corrupção: os dólares não se encontravam porque eram de alguma forma controlados pela liderança que depois jogava com o câmbio. Com a guerra, a situação precipitou. Entretanto, a corrupção aumentou e, em seguida, diminuiu drasticamente a produção de alimentos. Tornou-se muito difícil fazer chegar os bens alimentares, mesmo de primeira necessidade. Tudo chega em Juba vindo da Uganda e Quénia, agora as estradas estão absolutamente intransitáveis ​​ou transitáveis com muitas dificuldades: os caminhões devem viajar com uma escolta, há muitas emboscadas, o território é inseguro. E tudo isso faz subir os preços”.

Um estado de tensão e violência que se prolonga por quase quatro anos, agravado por divergências étnicas e políticas que nas últimas horas levaram o Presidente Salva Kiir a demitir o chefe do estado maior do exército: o general Paul Malong é amplamente indicado como um dos instigadores dos confrontos entre a etnia Dinka (à qual pertence o Chefe de Estado), e os Nuer, etnia de Riek Machar. Ainda Bruna Sironi:

"A cidade de Juba está ocupada pela polícia, e não pelo exército. O que faz pensar que o Presidente praticamente acredita que o exército não o protege suficientemente. O exército é leal a Malong, ao Chefe de Estado maior e pode-se supor que ele criou uma rede de conspirações dentro do exército que respondem a ele e a mais ninguém”.

Neste contexto, a situação humanitária se está a tornar cada vez mais precária: segundo a UNICEF e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o número de crianças que fugiram do Sudão do Sul ultrapassou um milhão - explica Andrea Iacomini, porta-voz da UNICEF Itália:

"O Sudão do Sul faz parte daqueles quatro Países que hoje vivem a pior seca desde 1945, em condições, portanto, desumanas: temos provas de casos de desnutrição generalizada para cerca de 250 mil crianças. A estas podemos acrescentar que uma em cada cinco crianças é forçado a fugir da própria casa porque o conflito é devastador e porque, sobretudo, as partes em causa não chegam a acordo. Portanto, estamos realmente à beira da catástrofe”.

Muito grave também o quadro dos deslocados internos, como sublinha Iacomini:

"Dentro do Sudão do Sul até hoje chegam a mil as crianças mortas ou feridas pelo conflito. Tem depois um milhão e 100 mil crianças deslocadas. A maioria destas nem sequer frequenta a escola. É o maior número no mundo. É uma situação traumática: estes pequenos passam por sobressaltos de ordem física, têm medo, vivem uma situação estressante e com o risco de serem recrutadas pelos grupos armados e têm grandes problemas relacionados com a exploração sexual e abuso. Mas pensemos também na situação dos Países vizinhos. Uma boa parte destas humanidades indefesas foge  para países como o Uganda, Quénia, Etiópia, Congo, atravessando as fronteiras: muitas vezes trata-se de crianças sozinhas, não acompanhadas e, portanto, duplamente expostas à violência e abusos. Nestes casos, tentamos intervir para apoiar as famílias, nos casos em que estas crianças se encontram inseridas em contextos familiares; mas onde não existem, tentamos registá-las, protegê-las e inseri-las dentro de estruturas que podem de alguma forma garantir - nesta fase - tanto a protecção psicológica como a protecção humanitária, o que significa uma assistência alimentar imediata”.

(BS)

16/05/2017 11:26