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Papa Francisco \ Atividades

Papa encontra Aung San Suu Kyi. Estabelecidas relações Santa Sé – Mianmar

Papa Francisco e Aung San Suu Kyi - AP

05/05/2017 10:20

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (04/05), no Vaticano, a conselheira de Estado e Ministra das Relações Exteriores de Mianmar, Aung San Suu Kyi. Num comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé informa que “a Santa Sé e a República da União de Mianmar, desejosas de promover ligações de amizade recíproca, decidiram, de comum acordo, estabelecer relações diplomáticas no âmbito de Nunciatura Apostólica da parte da Santa Sé e de Embaixada da parte da República da União de Mianmar”.

Aung San Suu Kyi foi uma das mais importantes lideranças para o regresso da democracia no seu País, recebendo o Prémio Nobel da Paz de 1991.

Este foi o segundo encontro entre a activista e o Papa Francisco. O primeiro realizou-se em outubro de 2013.

Desde 1990 a questão das relações diplomáticas entre Santa Sé e Mianmar tem sido tratada nos encontros entre funcionários do governo, delegados apostólicos e altos oficiais da Santa Sé.

A República da União de Mianmar é o 183º País a estabelecer plenas relações diplomáticas com a Santa Sé.

O País

O país – que até 1989 tinha o nome de Birmânia – tem a paisagem marcada por colinas e vales, circundados por cadeias de montanhas, estendendo-se por uma superfície de 677.000 km².

Em 2005, a capital foi oficialmente transferida de Yangon para Naypyidaw. Com uma população de 53.614.000 habitantes, Mianmar é formado por 135 etnias, das quais os grupos majoritários são: Kachin, Kayah, Kayin, Chin, Bamar, Mon, Rakhine e Shan.

As principais religiões professadas são o budismo (89,2%); o cristianismo (5%); o islamismo (3,5%) o hinduísmo (0,5%) e o animismo (1,2%).

A partir de 2010, o governo do Presidente Thein Sein, ex-general, implementou uma série de reformas políticas, instaurando um governo civil, libertando os opositores políticos, entre os quais, a senhora Aung San Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia (NLD) e convocando eleições livres parlamentares, parciais em 2012 e gerais em 2015.

A nomeação do presidente era considerada a etapa final do processo rumo à democracia, apresentada como passagem do poder militar ao civil. As reformas iniciadas sob a sua presidência estão gradualmente fazendo de Mianmar um país em pleno desenvolvimento económico e em transformação social. Houve abertura política em relação aos opositores e grupos étnicos de oposição.

A partir de 2011 país começou a abrir-se de modo gradual ao livre mercado, verificando altas taxas de crescimento económico (ao redor de 8%). O crescimento interessou a todos os sectores da economia (turismo, exportação de gás, indústria têxtil, telecomunicações, combustíveis, mercado imobiliário), atraindo também investimentos estrangeiros.

Segundo especialistas, a economia em Mianmar tem grandes potencialidades de crescimento e estima-se que até 2030 poderia quadruplicar, graças sobretudo aos investimentos na indústria de alta tecnologia.

Evangelização

Por ocasião das celebrações dos 500º aniversário da evangelização em Mianmar (21-23 de novembro de 2014), o Papa Francisco nomeou o Arcebispo de Bombaim, Osvaldo Gracias, como seu enviado especial para o evento religioso.

Actualmente, a Igreja Católica no país conta com 16 circunscrições eclesiásticas, agrupadas nas Arquidioceses de Mandalay, Taunggyi e Yangon, 23 bispos – dos quais 6 são eméritos - 939 sacerdotes diocesanos e religiosos e 1398 religiosas e religiosos.

Os fiéis leigos são 675.745, sendo 90% pertencentes às minorias étnicas, principalmente Karen e Kayah (cerca de 1,3 % da população).

Ademais, existem 2695 catequistas, que desempenham um trabalho fundamental na evangelização no país.

As Dioceses, os Institutos e as Congregações religiosas administram 91 pequenos centros de saúde, 23 centros de educação especial, 2 leprosários, 7 centros de assistência para idosos, 204 orfanatos, 199 maternais, além de alguns projectos de desenvolvimento para a agricultura.

A comunidade católica trabalha para favorecer uma convivência pacífica entre os diversos componentes da sociedade.

O futuro da Igreja católica em Mianmar está alicerçado nas numerosas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, que trazem esperança para a propagação do cristianismo no país.

Na sessão de 10 de março passado, o Parlamento da República da União de Mianmar aprovou por unanimidade o estabelecimento de relações diplomáticas com a Santa Sé. (BS/MJ/JE)

05/05/2017 10:20