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Guiné-Conacri a braços com um surto de sarampo - vacinações em curso

Criança com a mãe, aguardando ser vacinado - ANSA

17/04/2017 19:44

Em Portugal e Itália fala-se num aumento importante de casos, e recentemente, a organização “Médicos Sem Fronteiras” (MSF) informou  que na Guiné-Conacri o sarampo aumentou e estão a fazer vacinações em larga escala. Só este ano já se registaram 3.468 casos e 14 mortos. Conacri e Nzérékoré são os distritos mais atingidos.

Segundo um comunicado de MSF, as vacinações rotineiras diminuíram muito no país entre 2014 e 2015 devido à epidemia de Ébola. Por um lado a maior parte dos recursos e atenções foram canalizados para combater essa epidemia e, por outro, as pessoas receavam dirigir-se aos hospitais por medo de contágio dessa doença mortal.  Além disso, os programas de vacinação foram suspensos durante esse período. Por isso, milhares de crianças ficaram sem nenhuma protecção contra doenças que se podem facilmente prevenir. No ano passado as autoridades sanitárias organizaram uma campanha de vacinação à escala nacional para imunizar as crianças que não tinham tido uma cobertura vacinal completa, mas não obstante isso, a 8 de Fevereiro deste ano foi declarada a epidemia de sarampo.

“O facto de se verificar uma nova epidemia um ano depois da vacinação em massa é um preocupante sinal da fraqueza da assistência sanitária na Guiné-Conacri – declarou Ibrahim Diallo, Responsável de Projectos de MSF naquele país africano. Ele acrescentou que “os problemas que afectam ainda o sistema sanitário minam a sua capacidade de prevenir e de reagir às epidemias de forma eficaz e tempestiva”.

Depois da devastadora epidemia de Ébola que casou a morte de mais de 11 mil pessoas e que comprometeu gravemente o sistema sanitário dos três países mais atingidos (Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria), a OMS e os maiores peritos em matéria de saúde pública insistiram na importância de reconstruir sistemas sanitários reactivos nesses três países, apetrechando-os e apoiando-os de forma a poderem gerir melhor as crises sanitárias.

Mas segundo o organismo da ONU para a resposta ao Ébola, apenas 18% dos fundos postos à disposição desses países durante o surto de Ébola foram destinados à reabilitação do sistema sanitário. O empenho dos doadores internacionais concentrou-se no melhoramento da vigilância das doenças a fim de garantir o diagnóstico precoce e a reacção a epidemias como Ébola. Contudo, hoje, perante a este surto de sarampo, apenas a MSF (Conacri) e Alima (no distrito de Nzérékoré) estão a apoiar o Ministério da Saúde na campanha de vacinação nos distritos mais atingidos. O eventual apoio da OMS e do UNICEF a outros distritos atingidos em todo o país está ainda a ser debatido.

Se Ébola tocou como um despertador, a partir de então o mundo parece voltado a adormecer. Como demonstra esta epidemia de sarampo, o impacto das promessas de financiamento, apoio e formação feitas durante e depois da crise de Ébola ainda não é perceptível” – declarou o Doutor Mit Philips, perito em políticas sanitárias e que trabalha para MSF. “A assistência sanitária era claramente carente já antes que Ébola se desencadeasse. Hoje o país está a enfrentar os mesmos problemas de então, em grande parte sozinho, e isto não obstante o empenho publicamente assumido por parte da comunidade internacional de construir sistemas sanitários melhores e com mais capacidade de reacção”.

Para travar a epidemia de sarampo, MSF, juntamente com o Ministério da Saúde, está a mobilizar 126 equipas de 13 pessoas cada, distribuídas por 164 centros de vacinação em Conacri, cidade que tem três milhões de habitantes. Pretende-se, deste modo, vacinar todas as crianças com idade compreendida entre os 6 e 10 anos. Além disso, MSF apoia 30 centros sanitários em Conacri para o cuidado a crianças levemente afectadas pelo sarampo, e um  centro de referencia em que são internadas as gravemente afectadas.

(DA) 

17/04/2017 19:44