Ler o artigo Acessar menu principal

Redes Sociais:

RSS:

App:

Rádio Vaticano

A voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo

outras línguas:

Igreja \ África

Mensagem dos Bispos da África Ocidental à CEDEAO

Reunião do Comité Permanente da ECOWAS-CEREAO na Costa do Marfim de 28 a 31 de Março de 2017 - RV

12/04/2017 15:33

O Comité Permanente da Conferência Regional dos Bispos Católicos da África Ocidental – RECOWA/CEREAO esteve reunida de 28 a 31 de março findo, em Assinie, na Costa do Marfim. Tema do encontro:  “A nova evangelização e os desafios para a Igreja, família de Deus em África Ocidental: o papel dos bispos na prevenção, mediação, resolução e transformação dos conflitos”.

No final do encontro, os bispos dirigiram uma mensagem à Presidente da Libéria, Hellen Johnson Sirleaf, na qualidade de Presidente de turno da CEDEAO, a Comunidade Económica para o Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental.

Os bispos congratulam-se com a presidente liberiana pelo apoio dado à iniciativa dos líderes religiosos nas negociações da agenda do Desenvolvimento Pós-2015 e pela forma eficiente como geriu a situação de crise politica na Gambia, dando assim uma clara mensagem ao líderes políticos da região.

Exprimem também apreço pela intenção da CEDEAO de passar daqui até 2020 de uma Comunidade de Estados a uma Comunidade de Pessoas. Uma visão que – sublinham - exige uma abordagem de desenvolvimento holístico e de colaboração na região.

Depois agradecem a Deus pelas transferências democráticas do poder e pela relativa paz que notam na região. Sublinham também o crescimento económico que, a seu ver, traz esperança aos cidadãos.

Mas não obstante estes pontos positivos, os bispos dizem-se preocupados por a transição democrática nalguns países da região ser caracterizada pelo desrespeito das leis, fracas instituições, restringimentos dos espaços da participação politica, frequentes violações dos direitos humanos e tortura. Estes – escrevem – são sinais claros de desprezo pelos quadros legais adoptados pelos governos na região. Exortam,  por isso, as autoridades a respeitarem os compromissos assumidos. Os bispos não olham de bons olhos para os líderes políticos que fazem uso de meios não democráticos para permanecerem à vida no poder e apelam as autoridades políticas a respeitarem as regras democráticas nos seus países.

Os bispos da África Ocidental chamam também a atenção para o desemprego juvenil numa região em que 65% da população é jovem. E sendo a maior parte deles desempregados, ficam consequentemente expostos a tráficos, drogas, violências e emigração forçada. Quanto mais tempo permanecerem sem trabalho depois dos estudos e em movimento pela sub-região – sublinham- mais se tornam presas fáceis para senhores da guerra e criminosos políticos, que podem assim recrutá-los para crimes violentos e terrorismo.  Há uma urgente necessidade de mudar esta tendência adoptando medidas apropriadas e incentivos para criar oportunidades de emprego e de ganho para os jovens – frisam os bispos.

Uma ameaça séria ao direito do cidadão de escolher livremente a religião que quer professar é vista pelos bispos no desejo de grupos extremistas de forçar a islamização de países da região. No caso da Gambia em que o Estado tinha sido declarado islâmico, estamos felizes que isto tenha sido revirado pela actual liderança politica– escrevem os bispos que lançam um forte apelo para que situações deste tipo não se repitam em nenhum país da região. Onde quer que o governo adopte uma determinada religião como religião de Estado, os direitos dos cidadãos à liberdade de consciência e de confissão é violada.

A questão ambiental é também tomada em consideração pelos bispos. Os frequentes desastres naturais e provocadas pelo homem, como cheias, tempestades, desertificação, insegurança alimentar, migrações forçadas e outras crises humanitárias relacionadas com as mudanças climáticas tornaram-se numa séria ameaça à sobrevivência humana e animal. Os bispos sublinham também o impacto socio-ambiental que têm os nómades com o seu gado quando passam por comunidades e fronteiras nacionais na região. Eles trazem, muitas vezes, armas perigosas e estão associados a estupros, raptos, assassínios, destruição de quintas e conflitos.  Conscientes da regra da livre circulação de pessoas e bens na região, os bispos apelam, todavia, as autoridades a enfrentarem concretamente essas actividades destrutivas dos nómades.  

Em sintonia com as recomendações adoptadas na Assembleia Geral da RECOWA/CEREAO de Fevereiro de 2006, e que se debruçou sobre o tema “Nova Evangelização e Desafios da Igreja Família de Deus na África Ocidental: Reconciliação, Desenvolvimento e Vida Familiar”, os bispos dizem-se decididos a criar uma estrutura regional de prevenção, mediação resolução e transformação em caso de conflitos na nossa região. A Igreja católica, através das Conferências Episcopais nacionais e das suas Comissões Justiça, Paz e Desenvolvimento, faz de medianeira em assuntos políticos e de governação nos respectivos países e região.

A criação de Departamentos Católicos de Ligação Parlamentar a nível de nações faz da RECOWA/CEREAO um actor chave e estratégico para o desenvolvimento. Apoiamos  - afirmam os bispos - o trabalho de advocacia das nossas conferências episcopais nacionais na monotorização da implementação das políticas públicas com vista na boa governação e defesa do bem comum nos assuntos públicos.

Os bispos fazem saber que estão a criar, em Abuja, um Departamento para a colaboração entre a RECOWA/CEREAO e as comissões e instituições mais relevantes da CEDEAO. Além disso, propuseram um Memorando de Entendimento para definir os termos da sua colaboração e pedem para isso o apoio da Presidente Hellen Johnson Sirleaf.

Como organismo comprometido com o desenvolvimento humano integral, RECOWA/CEREAO diz-se pronta a estabelecer uma parceria com a CEDEAO para o rápido desenvolvimento da região e do Continente africano.

Da RECOWA-CEREAO fazem parte as conferências Episcopais do Benin, Burkina-Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gana, Guiné-Bissau, Guiné-Konacri, Libéria, Mali, Mauritania, Nigéria, Serra Leoa, Senegal, Gambia e Togo, os mesmos países que fazem parte da CEDEAO, com excepção da Mauritânia que se retirou há alguns anos atrás.

(DA) 

12/04/2017 15:33