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Bento XVI: da renúncia ao retiro na oração

Papa Emérito Bento XVI - ANSA

02/03/2017 09:46

Nesta edição do “Sal da Terra, Luz do Mundo” lançamos um olhar sobre a renúncia de Bento XVI ao ministério petrino e a sua atual vida de retiro na oração.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o padre Federico Lombardi, porta-voz vaticano durante o pontificado de Bento XVI e Presidente da Fundação Ratzinger, afirma que hoje compreende-se mais profundamente a renúncia graças à extraordinária relação fraterna entre Francisco e Bento XVI.

Foi no dia 11 de fevereiro de 2013 que Bento XVI apresentou a sua renúncia ao ministério petrino. Durante um Consistório que reuniu dezenas de cardeais no Vaticano para a aprovação de novas canonizações, o agora Papa emérito, surpreendeu tudo e todos anunciando ao mundo que devido à sua idade já não tinha forças para exercer o seu ministério.

A renúncia de Bento XVI fez despoletar todo o processo de um novo conclave que levou depois à eleição de Francisco a 13 de março de 2013. A força simbólica do seu gesto de profunda humildade teve espaço público e mediático no dia 28 de fevereiro seu último dia de pontificado.

Foi pouco depois das 17h que Bento XVI partiu do heliporto do Vaticano e viajou para Castelgandolfo onde aterrou às 17.24h. Pelas 17.50h Bento XVI assomou à varanda central do Palácio para um último ato público saudando a população local que o aplaudiu entusiasticamente. Disse-lhes que estava ali como peregrino que empreende a última fase da sua peregrinação terrena.

Desde esse dia 28 de fevereiro de 2013, o Papa emérito tem vivido no Vaticano no Mosteiro “Mater Ecclesiae” onde já foi visitado pelo Papa Francisco em várias ocasiões. Aí vive no recolhimento e num regime de retiro na oração. Já participou algumas vezes em celebrações presididas por Francisco.

No dia 28 de junho de 2016, Bento XVI regressou por breves momentos ao Palácio Apostólico para uma homenagem por ocasião do seu 65.º aniversário de ordenação sacerdotal. Foi também no passado ano de 2016 que o Papa emérito falou publicamente sobre a sua renúncia ao ministério petrino no livro-entrevista de Peter Seewald “Últimas Conversas”. Bento XVI afirma nesse livro que a renúncia não foi um fracasso mas uma decisão amadurecida.

Para uma reflexão sobre o testemunho que Bento XVI está a oferecer à Igreja neste quatro anos de retiro na oração o padre Federico Lombardi, Presidente da Fundação Ratzinger, falou à Rádio Vaticano tendo afirmado que hoje compreende-se mais profundamente o gesto de Bento XVI graças à extraordinária relação fraterna entre Francisco e Bento XVI.

Eis alguns excertos da entrevista concedida ao jornalista da Rádio Vaticano Alessandro Gisotti:

“O modo como tem vivido e vive estes anos corresponde àquele que nos tinha dito, ou seja, viver na oração, no retiro, de um ponto de vista espiritual e com extrema discrição, o seu serviço de acompanhamento na oração da vida da Igreja e de solidariedade também com o seu sucessor precisamente na sua responsabilidade. Isto é aquilo que está a acontecer em plena serenidade.”

“...tive algumas ocasiões de o ver nos últimos meses. Espero continuar a tê-las, tanto mais que agora, tendo esta responsabilidade da Fundação Ratzinger, poderão haver motivos para encontrá-lo. Encontrei-o perfeito do ponto de vista da lucidez, da presença espiritual, mental e, portanto, é um verdadeiro prazer estar com ele. Naturalmente, o tempo passa e as forças não aumentam, enquanto as forças mentais e espirituais são perfeitas, as forças físicas vão-se debilitando. Todavia, é uma pessoa que não tem doenças especiais, portanto, vê-se a fragilidade que aumenta com a idade, mas está de pé e pode caminhar em casa. É uma pessoa idosa que se tornou mais frágil com o passar do tempo, mas que é perfeitamente presente e que se tem muito prazer em encontrar.”

“Eu diria que o seu viver este tempo na oração está em perfeita coerência com aquilo que foi agora dito, ou seja, Deus no centro, a fé como sentido da nossa vida e, a coisa que eu acho muito bela – e que está neste volume das “Últimas Conversas” – e que é este sentido da proximidade ao encontro com Deus, o viver a idade da velhice como um tempo de preparação e de familiarização com o Senhor que se prepara para encontrar. Este parece-me um belíssimo testemunho. Creio que seja, verdadeiramente, muito belo ter o Papa emérito que reza pela Igreja, pelo seu sucessor. É uma presença que nós sentimos, sabemos que está cá e mesmo que não o vejamos muitas vezes quando o vemos ficamos muito contentes porque gostamos dele. Por isso, sentimo-lo como uma presença que nos acompanha que nos conforta que nos tranquiliza.”

“Todos recordamos o último encontro do Papa Bento com os cardeais que estavam a chegar a Roma para se prepararem para o Conclave, no qual, mesmo não sabendo ainda a quem se referia, prometia a sua obediência, o seu respeito por aquele que seria o seu sucessor. O cardeal Bergoglio estava presente e naturalmente todos nos recordamos deste momento. Depois aconteceu aquilo que tinha dito o Papa Bento, na sua discreta e serena proximidade espiritual ao seu sucessor que sente certamente – como nos disse muitas vezes – também o apoio desta presença e desta oração e que cultiva esta relação, às vezes com visitas, às vezes com chamadas telefónicas, certamente com muitos sinais de familiaridade, de respeito e de espera do apoio espiritual. Portanto, estamos a viver esta realidade inédita, mas é bela, é consoladora; diria que todas as vezes que vemos imagens do Papa Francisco e do seu predecessor juntos, é uma grande alegria para todos e é um exemplo de união na Igreja, na variedade das condições.”

“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

02/03/2017 09:46