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Reconciliação no centro da Semana pela Unidade dos Cristãos

Papa Francisco em Lund, Suécia, para os 500 anos da Reforma Luterana - REUTERS

18/01/2017 12:19

"O amor de Cristo nos impele para a reconciliação": este é o tema, tirado da segunda Carta aos Coríntios, para a Semana de oração pela unidade dos cristãos em 2017, que este ano coincide com os 500 anos da Reforma Luterana. O evento anual, tradicionalmente de  18 a 25 de janeiro, pretende chamar a atenção para a oração de Jesus pela unidade de todos os seus discípulos e apoiar o conhecimento e amizade entre os membros das diferentes Igrejas e confissões cristãs.

É vontade de Deus que haja a unidade: a Semana no-lo recorda, mas o empenho de superar as hostilidades e as divisões deve ser quotidiano, como sublinha Don Cristiano Bèttega, director do Secretariado Nacional para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CEI:

"Creio que o objectivo é antes de tudo manter acordada, por assim dizer, a atenção das Igrejas sobre o valor da unidade, entendida como algo que já existe, e também sobre o objectivo da unidade. Portanto, creio que antes de tudo o valor da semana é este; e depois, penso que em cada ano nos apercebemos que a Semana nunca pode ser um fim em si mesma. Graças a Deus se está difundindo esta mentalidade: que a Semana de Oração já não é a ocasião anual para rezar ou reflectir sobre a unidade entre os cristãos, mas é ocasião para dar um impulso a este movimento, a esta consciência – digamos assim - que em certo sentido atravessa como uma linha vermelha  muitas actividades espalhadas durante todos os meses do ano e que alarga cada vez mais a sua capacidade de envolvimento à base”.

O amor de Cristo nos impele, porque temos a certeza de que um morreu por todos. Assim diz o texto da segunda Carta aos Coríntios do qual se inspira o tema da Semana, texto que continua assim: Deus nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos deu a tarefa de levar outros à reconciliação com ele. Ainda don Bèttega:

"É claro que a reconciliação vem antes de tudo de Cristo; é ele que nos reconcilia com o Pai, mas é também  igualmente claro que, depois, a reconciliação passa através dos gestos concretos de cada pessoa. Este é um pouco o impulso, o encorajamento, a missão que nos é dada para semearmos uma cultura de reconciliação. Creio que o sinal mais bonito que podemos fazer é precisamente podermos inventar ou assumir sinais concretos de reconciliação, tendo em conta que todas as vezes que mais cristãos se encontram na mesma igreja, na mesma sala para rezar, para se consultar, essa é uma realização concreta daquela Palavra de Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles", e isto por si só torna-se um sinal de reconciliação.

Era em 1517 quando Martin Lutero expressou preocupação por aquilo que ele considerava abusos na igreja do seu tempo, tornando públicas as suas 95 teses. A Igreja Católica e Igreja Luterana decidiram comemorar juntos o aniversário, reconhecendo ambas Lutero como uma "testemunha do Evangelho". Também a Semana deste ano, portanto, é dedicada de modo particular a este evento:

"Creio que o tenha sublinhado de modo eloquente o Papa na sua viagem em Lund, na Suécia, no fim de outubro. O ponto de reflexão que devemos ter presente diante dos olhos  é o facto de que o que Lutero disse, o que ele fez, obviamente interessa em primeiro pessoa os luteranos e consequentemente todas as Igrejas protestantes ligadas à Reforma. Mas, na verdade, interessa cada crente, cada cristão. Um movimento de reforma, entendida como uma adesão cada vez mais explícita e mais coerente ao Evangelho, não pode interessar apenas uma igreja: este movimento interessa a todos os cristãos. Eu acho que está a grande ocasião que nos é apresentada: voltar àqueles temas, aos temas da reforma, para dizer: "Para mim, o que eles dizem? Como contribuem para construir um pouco melhor a minha vida cristã - no meu caso na Igreja Católica, ou em qualquer outra denominação eclesial - e como me ajudam a viver melhor a minha adesão ao Evangelho, hoje?”

18/01/2017 12:19