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Semana do Papa de 21 a 27 de novembro

Papa Francisco entre os fiéis na Sala Paulo VI - ANSA

28/11/2016 09:43

Foi uma semana vivida no Vaticano ainda sob a influência do Ano Santo da Misericórdia que teve o seu encerramento no domingo dia 20 de novembro. Destacamos nesta “Semana do Papa” a Carta Apostólica do Papa Francisco “Misericordia et Misera”, a audiência geral de quarta-feira dia 23 e ainda o Angelus deste I Domingo do Advento.

“Misericordia et misera”

No dia 21 de novembro foi publicada a Carta Apostólica do Papa Francisco ‘Misericordia et misera’ que recolhe a sua inspiração no Ano Santo da Misericórdia.

Duas importantes decisões do Santo Padre a destacar nesta Carta Apostólica: em primeiro lugar a instituição do “Dia Mundial do Pobres”, que será celebrado no penúltimo domingo do ano litúrgico, o XXXIII do Tempo Comum, um sinal concreto do Jubileu da Misericórdia; em segundo lugar, destaca-se uma outra decisão de Francisco nesta Carta Apostólica: os sacerdotes podem absolver o pecado do aborto.

O Santo Padre reafirma, no entanto, que o aborto é um pecado grave porque põe fim a uma vida inocente.

Ensinar os ignorantes e dar bom conselho

Quarta-feira, 23 de novembro: audiência geral com o Papa Francisco na Sala Paulo VI, a primeira após o Jubileu da Misericórdia. O Papa Francisco a isto se referiu logo no início dizendo: “Terminado o Jubileu, hoje voltamos à normalidade, mas faremos ainda algumas reflexões sobre as obras de misericórdia”.

Desta forma, o Santo Padre propôs uma catequese sobre duas obras de misericórdia espiritual: ensinar os ignorantes e dar bom conselho. Sobre a primeira, o Papa referiu as crianças que ainda sofrem de analfabetismo e de falta de instrução e recordou que a “Igreja ao longo dos séculos, sentiu a exigência de se empenhar no âmbito da instrução porque a sua missão de evangelização comporta o empenho de restituir a dignidade aos mais pobres”.

Desde a «escola» fundada em Roma por S. Justino, no século II, para que os cristãos conhecessem melhor a Sagrada Escritura até S. José Calasâncio que abriu as primeiras escolas populares gratuitas da Europa, temos uma longa série de pioneiros da instrução que compreenderam bem esta obra de misericórdia e dela fizeram um estilo de vida tal que transformou a própria sociedade – salientou Francisco que pediu um aplauso para todos os cristãos que se empenharam e empenham nesta “peculiar forma de evangelização” que é a instrução.

A propósito da segunda obra de misericórdia espiritual apresentada, dar bom conselho, o Santo Padre disse que esta tem como objetivo ajudar a pessoa confusa, indecisa, duvidosa. É um ato de verdadeiro amor pelo qual se ampara e apoia a pessoa na fragilidade da sua incerteza e hesitação.

“Neste sentido positivo, é bom que nos interroguemos sobre a nossa fé, porque assim somos levados a aprofundá-la” – afirmou Francisco que considerou que as dúvidas devem ser, no entanto, superadas.

No final da sua catequese o Papa assinalou o valor da catequese e também o caminho de fazer da fé não uma teoria abstrata onde as dúvidas se multiplicam, mas uma vida, procurando pô-la em prática no serviço aos nossos irmãos, sobretudo aos mais necessitados.

O Santo Padre exortou os fiéis a não pararem de “cumprir sempre as obras de misericórdia corporais e espirituais”.

Nunca dialogar com o diabo

Sexta-feira, 25 de novembro: na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que nunca devemos dialogar com o diabo, para não cair na perdição eterna, mas encontrarmo-nos com o Senhor no Juízo final com coração humilde.

Dialogar com o diabo pode levar-nos ao distanciamento de Deus e à perdição eterna – assinalou o Santo Padre:

“A perdição eterna não é uma sala de tortura, é uma descrição desta segunda morte: é uma morte. E aqueles que não serão recebidos no Reino de Deus é porque não se aproximaram do Senhor. São a queles que sempre seguiram pelo seu caminho, afastando-se do Senhor e passando diante do Senhor se distanciaram sozinhos. É a perdição eterna, é o distanciar-se constantemente de Deus” – disse o Papa.

Não nos deixemos dominar pelas coisas deste mundo

Domingo, 27 de novembro: Angelus com o Papa na Praça de S. Pedro neste I Domingo do Advento. Neste início do ano litúrgico Francisco disse que “somos chamados a alargar o coração” e a relativizar “as coisas de cada dia” vivendo na sobriedade.

O Santo Padre salientou que a primeira visita do Senhor aconteceu com a “Encarnação, o nascimento de Jesus na Gruta de Belém”; a segunda acontece no presente: “o Senhor visita-nos continuamente, em cada dia, caminha ao nosso lado e é uma presença consoladora” – disse o Papa.

Neste I Domingo do Advento a Palavra de Deus fala-nos da visita do Senhor no fim dos tempos quando virá para “julgar os vivos e os mortos” – assinalou o Santo Padre. Faz-nos ver o “contraste entre o desenvolvimento normal das coisas, a rotina quotidiana e a vinda imprevista do Senhor” que neste caso se trata do dilúvio.

A este propósito, o Papa referiu as coisas que fazemos nas horas que precedem uma grande calamidade: “todos fazem as coisas normais sem tomarem consciência que a sua vida está para ser transtornada”.

No entanto – disse Francisco – o Evangelho não nos quer fazer medo “mas abrir o nosso horizonte” a uma “outra dimensão” que “relativiza as coisas de cada dia, mas ao mesmo tempo as torna preciosas, decisivas” – afirmou. É também um convite à sobriedade:

“Desta perspetiva vem também um convite à sobriedade, a não ser dominados pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas a governá-las”.

Com este convite à vigilância, neste tempo de Advento, “somos chamados a alargar o horizonte do nosso coração, a fazermo-nos surpreender pela vida que se apresenta em cada dia com as suas novidades. Para fazer isto é preciso aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados, porque o Senhor vem na hora em que não imaginamos. Vem para introduzir-nos numa dimensão mais bela e maior” – disse o Santo Padre.

E com o Angelus deste domingo terminamos esta síntese das principais atividades do Santo Padre que foram notícia de 21 a 27 de novembro. Esta rubrica regressa na próxima semana sempre aqui na RV em língua portuguesa.

(RS)

28/11/2016 09:43