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Trazer a feitiçaria para o palco do combate ao tráfico humano

A irmã Marinês Biasibetti - RV

31/10/2016 16:53

Em Moçambique há cerca de 20 mil refugiados de vários países africanos. Cerca de metade está no campo de refugiados em Nampula, enquanto que a outra metade está espalhada pelas várias cidades do País. Dos que estão no campo se ocupam o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e o Governo moçambicano. 

A Igreja faz a sua parte sobretudo no plano do acompanhamento pastoral e espiritual e de sensibilização da população local para os factores que levam esses refugiados a deixar os seus países de origem e, por conseguinte, a tratá-los como irmãos. 

A Igreja faz isso através da CEMIRDE, Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados. O Presidente deste organismo é D. Adriano Langa, e nele trabalha a irmã Marinês Biasibetti, Missionária escalabriniana, brasileira. 

Ambos vieram ao Vaticano a semana passada para a Conferência do "Grupo Santa Marta" (26 e 27/10/16) que luta contra o tráfico humano. É que a maior parte das vítimas deste tráfico são mulheres e crianças, pessoas em movimento, migrantes.  

Em entrevista à nossa Emissora, a irmã Marinês explicou que em Moçambique já se fala de tráfico humano e a Igreja, juntamente com as Autoridades do País, tem-se muito empenhado nisso, mas permanece ainda um tabu falar do tráfico de órgãos e de partes do corpo humano essencialmente para fins de feitiçaria. É que isto está ligado à cultura em muitos países africanos e a Igreja, embora vá ganhando coragem de condenar isso, não faz ainda o suficiente. 

Um estudo feito pela CEMIRDE com financiamento da CAFOD e a colaboração de antropólogos, revelou que 95% desse tráfico não é para transplante, mas sim para feitiçaria. Muitas vítimas são pessoas albinas, mas não só. A irmã dá o exemplo de um jovem ao qual, precisamente nestes dias, foram extirpados os órgãos sexuais. 

Uma forma de combater isso seria trazer a questão da feitiçaria para o palco internacional do "Grupo Santa Marta", organismo criado em 2014 pelo Papa Francisco para combater o tráfico humano no mundo. 

Na entrevista que nos concedeu a irmã Marinês fala ainda das acções que a CEMIRDE tem levado a cabo, das que tem em programa e da cooperação com bispos e autoridades civis de países vizinhos. O Ano Jubilar da Misericórdia - refere - levou a pôr este conceito no centro de todas as actividades, reforçando o espírito de misericórdia que já os anima.

Oiça as suas palavras aqui na rubrica "África.Vozes Femininas" 

(DA) 

31/10/2016 16:53