Ler o artigo Acessar menu principal

Redes Sociais:

RSS:

App:

Rádio Vaticano

A voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo

outras línguas:

Papa Francisco \ Atividades

Semana do Papa Especial Polónia

Papa Francisco durante a Missa em Cracóvia - ANSA

01/08/2016 12:56

Nesta “Semana do Papa” apresentamos uma síntese da Viagem Apostólica de Francisco à Polónia. Especial destaque para as XXXI Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia.

Acolher as pessoas que fogem das guerras e da fome

O Papa Francisco chegou à Polónia pelas 16 horas do dia 27 de julho ao aeroporto S. João Paulo II na cidade de Cracóvia. Depois o Santo Padre foi recebido pelo Presidente da República, pelas autoridades civis do país e os membros do Corpo Diplomático.

Segundo Francisco existem a “memória boa e a má” a “positiva e a negativa”. A memória boa é a que “louva Senhor e a sua obra de salvação”, a memória má é “aquela que mantém o olhar da mente e do coração obsessivamente fixo no mal, a começar pelo mal cometido pelos outros”. A este propósito o Papa recordou “os cinquenta anos do perdão, mutuamente oferecido e recebido, entre os episcopados polaco e alemão” e também “a Declaração Conjunta entre a Igreja Católica da Polónia e a Igreja Ortodoxa de Moscovo”. Para fazer tudo isto é preciso ter “esperança e confiança firmes n'Aquele que guia os destinos dos povos, abre portas fechadas, transforma as dificuldades em oportunidades e cria novos cenários onde parecia impossível” – disse o Santo Padre.

Deve ser, assim, com a “consciência do caminho feito e a alegria pelas metas alcançadas” que devem ser enfrentados os “desafios atuais” – disse o Papa – que citou a economia, a relação com o meio ambiente e, especialmente, o complexo fenómeno migratório que exige sabedoria e misericórdia:

“Este último exige um suplemento de sabedoria e misericórdia, para superar os medos e produzir um bem maior. É preciso identificar as causas da emigração da Polónia, facilitando o regresso de quantos o queiram fazer. Simultaneamente é precisa a disponibilidade para acolher as pessoas que fogem das guerras e da fome; a solidariedade para com aqueles que estão privados dos seus direitos fundamentais, designadamente o de professar com liberdade e segurança a sua fé.”

Deus salva-nos fazendo-Se pequeno, vizinho e concreto

Quinta-feira, 28 de julho – o Papa Francisco na Polónia foi de helicóptero de Cracóvia para Czestochowa, tendo sido recebido por milhares de peregrinos no Mosteiro de Jasna Gora. O Santo Padre recolheu-se em oração na Capela da Nossa Senhora Negra e, de seguida, dirigiu-se para o recinto junto do Santuário onde presidiu à celebração eucarística, por ocasião dos 1050 anos do Batismo da Polónia.

Na sua homilia o Papa referiu a passagem de S. Paulo que nos diz que “«quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» (Gal 4, 4). A história, porém, diz-nos que, quando chegou esta «plenitude do tempo», isto é, quando Deus Se fez homem, a humanidade não estava particularmente preparada, nem era um período de estabilidade e de paz” – referiu o Santo Padre que sublinhou “o modo como se realiza a entrada de Deus na história: «nascido de uma mulher»”.

Não há uma “entrada triunfal”, mas simplesmente, “chega como uma criança através da mãe” “na pequenez” e “na humildade” – ressaltou o Papa que citou o episódio das Bodas de Caná da Galileia onde “não há um gesto estrondoso realizado diante da multidão, nem uma intervenção que resolva um problema político flagrante, como a subjugação do povo à dominação romana. Pelo contrário, numa pequena aldeia, tem lugar um milagre simples, que alegra o casamento duma jovem família, completamente anónima”.

“Um Deus que se põe à mesa connosco” e que nos salva fazendo-se pequeno, vizinho e concreto – afirmou Francisco:

“… Deus salva-nos fazendo-Se pequeno, vizinho e concreto.”

Referindo-se à Polónia, Francisco recordou ser este um país com uma “história, permeada de Evangelho, Cruz e fidelidade à Igreja” e que toca a “ternura concreta e providente da Mãe de todos”:

“Na vida de Maria, admiramos aquela pequenez amada por Deus, que «pôs os olhos na humildade da sua serva» e «exaltou os humildes» (Lc 1, 48.52). E nisso tanto Se deleitou, que d’Ela Se deixou tecer a carne, de modo que a Virgem Se tornou Progenitora de Deus, como proclama um hino muito antigo que há séculos Lhe cantais. A vós que ininterruptamente vindes ter com Ela, acorrendo a esta capital espiritual do país, continue a Virgem Mãe a mostrar o caminho e vos ajude a tecer na vida a teia humilde e simples do Evangelho”.

Oração e silêncio em Auschwitz e Birkenau

Foi num passo lento, meditativo e orante que o Papa percorreu os lugares da memória dos horrores: os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau.

Na sexta-feira dia 29 de julho, Francisco encontrou sobreviventes, deixou uma vela junto do muro onde os prisioneiros eram fuzilados em Auschwitz e rezou na cela onde morreu S. Massimiliano Kolbe, padre franciscano que se ofereceu para morrer no lugar de um pai de família em 1941.

No campo de concentração de Birkenau o Santo Padre cumprimentou vinte e cinco “Justos entre as nações”, título conferido pelo Estado de Israel a pessoas que não são judias mas que arriscaram as suas vidas durante o Holocausto para salvar vidas de judeus. Também em Birkenau, Francisco fez uma oração silenciosa e deixou uma vela. Um rabino entoou o Salmo 130 em hebraico.

Oração e silêncio em Auschwitz e Birkenau, para que se faça memória.

Com os doentes à maneira de Jesus

Durante a tarde de sexta-feira dia 29 de julho o Papa visitou o Hospital Pediátrico de Cracóvia e, na ocasião, denunciou a cultura do descarte que polui as sociedades e de que são vítimas precisamente as pessoas mais fracas sendo isto uma “crueldade” – disse Francisco que afirmou que gostaria que os cristãos, fossem “capazes de permanecer ao lado dos doentes à maneira de Jesus, com o silêncio, com uma carícia, com a oração”.

Imitar Cristo no serviço

No final da tarde de dia 29, na Via Sacra organizada pelos jovens das Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia, o Santo Padre afirmou que é “no acolhimento do marginalizado que está ferido no corpo e no acolhimento do pecador que está ferido na alma” que se “joga a nossa credibilidade como cristãos!” Francisco exortou os jovens a imitarem Cristo sendo protagonistas no serviço:

Não nascemos para vegetar mas para mudar o mundo

Na manhã de sábado dia 30 de julho o Papa Francisco esteve no Santuário da Divina Misericórdia tendo administrado o Sacramento da reconciliação a oito pessoas - cinco rapazes, duas meninas e um sacerdote. Depois celebrou uma Eucaristia com o clero polaco na Santuário de S. João Paulo II em Cracóvia tendo afirmado que quem escolheu seguir a Cristo “não se perde em confortos que enfraquecem a evangelização”. Francisco na sua homilia exortou os sacerdotes a procurarem os necessitados e não os poderes do mundo.

No final da tarde de sábado dia 30 de julho o Papa encontrou-se com mais de um milhão e meio de jovens na Vigília de Oração da Jornada Mundial da Juventude no Campus Misericórdia de Cracóvia e afirmou que não nascemos para vegetar mas para mudar o mundo. Francisco declarou que a resposta a um mundo em guerra é a palavra fraternidade.

O Santo Padre no seu discurso convidou os jovens a darem as mãos pois “é mais fácil construir pontes do que levantar muros”.

“Sabeis qual é a primeira ponte a construir? Apertarmos as mãos. Força, fazei-o agora. É a ponte humana, o modelo. Que possam aprender a faze-lo os grandes deste mundo” – afirmou Francisco.

Eram tantas as mãos apertadas na Vigília da JMJ de Cracóvia em sinal de comunhão e reconciliação. O Papa atravessou a Porta da Misericórdia e fez um forte apelo aos jovens, provenientes de países e culturas diferentes, para caminharem pelos caminhos de Deus e contagiarem de alegria o mundo:

“ Pergunto-vos: quereis ser jovens adormecidos e atordoados? Quereis que outros decidam o futuro por vós? Quereis lutar pelo vosso futuro?”

“… não viemos ao mundo para vegetar, para passar comodamente a nossa vida num sofá que nos adormeça. Pelo contrário, viemos para outra coisa, para deixar uma marca.”

Os jovens adoraram Jesus Eucaristia em silêncio. Antes tinham proposto uma sugestiva coreografia inspirada em Santa Faustina Kowalska e nos écrans gigantes foram vistas imagens do terrorismo, o perdão de João Paulo II ao homem que atentou contra a sua vida e no palco a representação da juventude sofrida, indiferente, desencorajada e duvidosa. Intensos os testemunhos de três jovens: uma polaca, um paraguaio e uma síria da cidade de Aleppo que partilharam as suas experiências da misericórdia do Pai que ama, levanta-nos do pecado e concede sempre uma nova oportunidade.

Francisco convidou os jovens para a ‘escola da misericórdia’ para mudarem o mundo e com Cristo vencerem o mal vivendo em fraternidade:

“… não nos vamos pôr a gritar contra alguém, não queremos vencer o ódio com o ódio, vencer a violência com mais violência, vencer o terror com mais terror. E a nossa resposta para este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade…”

A JMJ continua amanhã, em casa

Domingo, 31 de julho de 2016, Missa conclusiva das Jornadas Mundiais da Juventude no Campus Misericordiae de Cracóvia. Na sua homilia o Papa disse aos mais de um milhão e meio de jovens que as JMJ “continuam amanhã, em casa” e exortou-os a dizerem não ao doping do sucesso a todo o custo e à droga de pensarem só em si mesmo e nas próprias comodidades.

O estímulo da homilia foi o Evangelho de S. Lucas que no seu capítulo 19 nos conta o encontro de Jesus com Zaqueu, cobrador de impostos e colaborador dos ocupantes romanos. Destaque especial para as palavras de Jesus a Zaqueu que parecem ditas de propósito para nós hoje – assinalou Francisco na conclusão da sua homilia:

“«Desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa». Jesus dirige-te o mesmo convite: «Hoje tenho de ficar em tua casa». A JMJ – poderíamos dizer – começa hoje e continua amanhã, em casa, porque é lá que Jesus te quer encontrar a partir de agora. O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belas recordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudo e os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afetos, os projetos e os sonhos. Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como espera que, entre todos os contactos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuas jornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu «navegador» nas estradas da vida!”

Francisco na sua mensagem antes da oração do Angelus anunciou que as próximas Jornadas Mundiais da Juventude serão no Panamá em 2019.

E terminamos, assim, esta “Semana do Papa” na qual fizemos uma síntese da Viagem Apostólica de Francisco à Polónia. Esta rubrica regressa na próxima semana sempre aqui na RV em língua portuguesa.

(RS)

01/08/2016 12:56