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P. Spadaro: misericórdia é o centro da geopolítica de Francisco

Papa Francisco discursando nas Nações Unidas - AFP

31/01/2016 10:23

Na última edição da revista “La Civiltà Cattolica” o Padre António Spadaro escreve um artigo com o título: “A diplomacia de Francisco. A misericórdia como processo político”. Num longo artigo o diretor da revista dos jesuítas detém-se precisamente no papel da misericórdia na geopolítica de Francisco. O padre Spadaro prestou declarações à RV sobre este assunto:

“De facto, o Papa Francisco, diante das tragédias dos atentados em Paris, mas também da Shoah como vimos na sua viagem na Terra Santa, diante de tudo isto nasce o sentimento de impotência, não a decisão de alinhar-se a isto ou aquilo. Ele quer desarmar por dentro as máquinas narrativas, certamente do assim chamado Estado Islâmico, mas certamente, também, posições que existem dentro da Igreja e que gostariam de iniciar uma “guerra santa”. O Papa nunca fala de guerra, fala de terrorismo: o fundamentalismo é um cancro da religião, não é expressão da religião, não é expressão da religião.”

“É interessante e fascinante entrar no mundo bergogliano das referências, das leituras e dos aprofundamentos. A visão diplomática de Bergoglio formou-se através de fontes não habituais, como escritos místicos, escritos literários e escritos de um teólogo como Przywara, que foi mestre de Hans Urs von Balthasar. Fabro certamente vê o mundo como um lugar em que é necessário rezar por todos, portanto, indiferentemente por todos aqueles que estão envolvidos também dentro da luta política. Dostoevskij desequilibra a lógica das escolhas. Para ele, como escreve em “Memória do subterrâneo”, 2 + 2 pode resultar 5 e portanto requer uma lógica muito flexível, muito dinâmica, não rígida. Certamente Przywara é uma figura talvez pouco conhecida na Itália, mas importantíssima para compreender o Papa Francisco. Ele postula o fim da época constantiniana, rejeitando radicalmente a ideia da atuação do Reino de Deus sobre a terra, o que foi mais tarde a base do Sacro Romano Império, e portanto todas as formas políticas e institucionais similares ou atribuíveis ao Sacro Romano Império, até mesmo em termos de partido e portanto de políticas católicas. A Igreja deve estar em saída. Este é o código de leitura”.

“o Padre Tonino Bello, como Papa Francisco, mas também tantos outros, na realidade, não distinguem de maneira clara a sacristia ou o templo, daquilo que é o compromisso. Existe um serviço que expressa uma profunda caridade. Também o disseram os Papas e repetiu-o Francisco. A sua abordagem da paz, porém, não é uma abordagem pacifista. A paz para Bergoglio significa agir nos quadrantes mais delicados da política internacional, mas em nome dos descartados, dos mais frágeis. O Papa Francisco concentra-se sobre isto e dá-se conta de como as tensões do mundo nascem porque existem desequilíbrios e sobretudo, de caráter económico. Portanto, todas as iniciativas de paz desta dramática “terceira guerra mundial em partes” devem estar ligadas aos tempos sociais que preocupam o Papa, porque o Papa está muito atento aos descartes.”

(RS)

31/01/2016 10:23