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Muro na Terra Santa: “um insulto à paz”

Vale Cremisan, na Terra Santa, protestos contra destruição de oliveiras - AFP

20/08/2015 09:56

Na passada segunda-feira, 17 de agosto, recomeçaram os trabalhos de construção do Muro de separação entre Israel e os Territórios Palestinianos no Vale de Cremisan, perto de Belém na Terra Santa. A área acolhe a paróquia de Beit Jala e os terrenos de 58 famílias cristãs e também um mosteiro e um convento dos salesianos ao qual está anexa uma escola primária.

O Patriarcado Latino de Jerusalém difundiu uma nota em que definiu o Muro no vale de Cremisan como “um insulto à paz”. Em declarações à Rádio Vaticano, o Padre Mário Cornioli, sacerdote do Patriarcado Latino que trabalha na paróquia de Beit Jala, revelou pormenores sobre a situação. Desde logo, considerou que houve uma sentença do tribunal que tinha dito não ao Muro e que agora, depois do acordo entre a Estado Palestiniano e a Santa Sé, decidiu-se pelo sim à construção do Muro.

A comunidade cristã de Beit Jala mobilizou-se e dirigiu-se para a zona onde recomeçaram os trabalhos – relata o Padre Cornioli – uma zona onde estão as seculares oliveiras de Bir Onah no início do Vale de Cremisan. Os cristãos foram ali para protestarem em modo pacífico. O repórter Marco Guerra do programa italiano da Rádio Vaticano falou telefonicamente com o Padre Cornioli:

“Ontem, fizemos uma oração com os padres ortodoxos e esta manhã foi a vez dos latinos e celebramos Missa. No início o exército impediu-nos, depois conseguimos rezar, que é a única coisa que se pode fazer. Houve momentos de tensão, um rapaz queria plantar uma oliveira e levaram-no com força, com muita violência. Houve algumas detenções em maneira verdadeiramente gratuita e violenta. Nós estávamos ali para rezar. Eu pedi explicações aos soldados que disseram que tinham atacado o exército o que não é absolutamente verdade! É este o clima, total injustiça e total má-fé.”

O Padre Mario Cornioli considera que o problema é que está a ser roubado um inteiro vale e duas montanhas. Uma situação que é inaceitável:

“Não é um problema do convento aqui ou acolá… O problema é que estão a roubar um inteiro vale e duas montanhas, isto não é aceitável. É inútil que o mosteiro fica aqui e todas as oliveiras das pessoas ficam de lá, isto não é aceitável, é totalmente injusto… é inútil salvar um mosteiro se depois o muro acabará com um inteiro vale e duas montanhas cheias de oliveiras e terra de 58 famílias cristãs. Como Igreja não podemos aceitar isto, não podemos ficar em silêncio. Isto é uma vergonha, é uma total injustiça, não há nenhum motivo de segurança, portanto, é apenas uma violência gratuita. Isto é triste. É um dia muito triste, rezamos com tanta tristeza no coração.”

O padre Mario Cornioli afirmou ainda à Rádio Vaticano que a construção do Muro é um modo de estrangular a comunidade cristã e sublinha que se esta política do Estado de Israel continuar vai ser muito difícil para os cristãos ficarem na Terra Santa.

(RS)

20/08/2015 09:56